O psiquiatra e escritor Augusto Cury, pré-candidato à Presidência da República pelo Avante, descreve em livros autobiográficos a mudança de hábitos na juventude, a formação médica e o desenvolvimento de sua carreira literária.
Antes de publicar mais de 70 livros, Cury se apresentava como um jovem distante dos estudos, com cabelos revoltos e roupas que considerava bizarras. Com incentivo dos pais, passou a estudar 12 horas por dia para entrar na universidade e abandonou festas, orgias e o convívio com amigos.
Aos 67 anos, ele aparece na disputa eleitoral com 10% das intenções de voto na última pesquisa Quaest. Sua produção inclui não ficção e romances, com frases curtas, mensagens motivacionais e conceitos como a inteligência multifocal e as técnicas de gestão da emoção (TGE). Cury rejeita o rótulo de autoajuda.
Relação com a academia
Em relatos autobiográficos, o psiquiatra afirma ter sido humilhado por bancas de grandes universidades ao tentar continuar pesquisas sobre a construção das ideias, a formação da consciência e a natureza da energia psíquica. Ele compara sua experiência à trajetória de Sigmund Freud e Albert Einstein, cujas teorias, segundo Cury, foram produzidas fora das universidades.
Após ser recusado por editoras no início da carreira, conseguiu publicar seus livros e passou a dizer que reuniu descobertas capazes de reciclar pilares da ciência durante o século XXI. A crítica ao ambiente acadêmico também aparece em O vendedor de sonhos, romance em que um homem salva do suicídio um professor universitário em São Paulo. O personagem é retratado como um acadêmico que exibe conhecimento e faz críticas ácidas a mestrandos e doutorandos.
Obras sobre Jesus Cristo
Cury também escreveu uma pentalogia sobre Jesus Cristo, iniciada por O mestre dos mestres. Ele se define como um cristão sem fronteiras e afirma que já foi mais ateu do que Karl Marx, Friedrich Nietzsche e Jean-Paul Sartre.
Ao estudar os evangelhos para investigar a existência histórica de Jesus, concluiu que ele foi uma pessoa real. Na avaliação do escritor, Cristo defendia uma revolução interior e silenciosa.
Cury também analisa o comunismo e o capitalismo. Para ele, o primeiro não entregou o paraíso dos trabalhadores, enquanto o segundo, apesar do desenvolvimento, precisa de correções por ser movido pela competição predatória, pelo individualismo e pela valorização da produtividade acima das necessidades.



