Investigações identificam uma estrutura offshore ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, com patrimônio estimado em cerca de US$ 1 bilhão. A administração das empresas estava sob responsabilidade do empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro e dono do grupo Entre.
As autoridades apontam que empresas do grupo Entre participaram do envio de recursos do Banco Master para o exterior. O dinheiro era transferido por Mineiro à Mosaic Financial, que depois fazia os repasses para contas offshore associadas a Vorcaro. A estrutura teria como finalidade manter e financiar operações de interesse do ex-banqueiro.
A apuração também registra o retorno de aproximadamente US$ 200 milhões ao Brasil desde o final do ano passado. A movimentação coincide com o período em que Vorcaro teve a primeira prisão decretada e o Banco Master entrou em liquidação.
Sebastião Monteiro, liquidante do Banco Master, apresentou uma petição ao Tribunal de Falências da Flórida, nos Estados Unidos. No documento, ele classifica a Mosaic Financial como parte central de uma rede offshore usada para lavar recursos originários do banco e solicita o congelamento imediato dos ativos relacionados.
O pedido também requer o rastreamento do caminho completo do dinheiro, com a identificação dos destinatários finais. As investigações trabalham com a hipótese de que os beneficiários fossem Vorcaro ou pessoas envolvidas em corrupção. Para as autoridades, não é plausível que valores dessa dimensão tenham sido usados apenas na compra de ativos lícitos.
Delação e repasse para filme
Nos últimos dias, Antonio Carlos Freixo Junior firmou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República. As informações reunidas na investigação também atribuem a Mineiro o repasse de US$ 12 milhões feito por Vorcaro, a pedido de Flávio Bolsonaro, para financiar a produção do filme “Dark Horse”.
O dinheiro foi transferido para um fundo administrado por um amigo de Eduardo Bolsonaro.



