O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) acusa o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, de usar o afastamento de dirigentes da Polícia Federal para interromper investigações e proteger o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Mendonça determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa.
A decisão ocorre na Petição 16.662. Mendonça afirma haver “inadequações, disfuncionalidades, irregularidades e potenciais ilicitudes” no comando da corporação. O ministro também aponta “monitoramento e coleta dirigida” da inteligência da PF contra sua atuação judicante e contra o advogado-geral da União, Jorge Messias, em processos relacionados aos casos Banco Master e INSS.
Delação e recursos no exterior
Segundo Rogério Correia, o afastamento pode paralisar as apurações sobre Antonio Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, proprietário da Enter Investimentos. O empresário celebrou um acordo de delação premiada que obteve a anuência da Procuradoria-Geral da República.
O deputado afirma que o depoimento detalha o envio de milhões de reais, originários de Daniel Bueno Vorcaro, para ampliar a estrutura do Havengate Development Fund, sediado no Texas, nos Estados Unidos. O fundo é administrado por Paulo Calixto, advogado especialista em imigração e próximo à família Bolsonaro.
O Havengate é alvo de apurações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República. As investigações analisam repasses de empresas ligadas a Vorcaro, entre elas a Enter Investimentos, e verificam se os valores foram usados na produção do filme “Dark Horse”, sobre a biografia de Jair Bolsonaro (PL), ou tiveram outra destinação.
Correia diz que a delação é essencial por causa do conhecimento de Freixo Júnior sobre o fluxo financeiro internacional. “O ministro André Mendonça quer fazer intervenção na Polícia Federal para proteger Flávio Bolsonaro”, declarou.
O parlamentar também menciona denúncias sobre contratos sem licitação firmados por Mendonça com um instituto ao qual o ministro mantinha vínculo anterior. Para Correia, a crise institucional serviria para desviar o foco dessas apurações. Mendonça baseou sua decisão em requerimentos do Partido Novo, na juntada de uma Informação de Polícia Judiciária que citou Andrei Rodrigues em conversas apreendidas de Daniel Bueno Vorcaro e na divulgação de seis relatórios de inteligência no Inquérito 4.781.



