O teólogo, pastor e historiador Zé Barbosa Jr critica a dependência do Flamengo em receitas de apostas esportivas e questiona a reação do clube à decisão do governo Lula de proibir as bets no Brasil. O autor afirma que a medida pode afetar aproximadamente R$ 400 milhões das receitas do Flamengo, mas sustenta que o debate não deve se limitar ao pagamento de jogadores.
O presidente do clube, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, perguntou como pagaria Paquetá em janeiro. Para Barbosa Jr, a questão central é o impacto das apostas sobre pessoas que comprometem salários, orçamentos familiares e patrimônio na tentativa de recuperar perdas.
O autor reconhece que é possível discutir os efeitos econômicos da proibição, o risco de migração para o mercado ilegal e alternativas de regulação. Ele rejeita, porém, o uso da dependência financeira de um mercado controverso como argumento para mantê-lo.
A relação com o torcedor
Barbosa Jr afirma que o Flamengo existia antes das bets e construiu sua dimensão por meio de torcedores, estádios, camisas, ídolos e títulos. Na avaliação dele, a paixão da torcida oferece às plataformas de apostas uma confiança emocional que aumenta a responsabilidade do clube.
O texto também menciona influenciadores e produtores de conteúdo que promovem as bets e critica o uso de slogans de torcida em disputas políticas. O autor defende que ninguém deve chegar ao ponto de perder a casa, o emprego, os relacionamentos ou a esperança por causa de dívidas associadas às apostas.
Outro ponto citado é o incêndio no Ninho do Urubu, que matou dez meninos. O clube chegou a acordo com todas as famílias, sendo o último em fevereiro de 2025, mas, mais de sete anos depois, ainda não houve responsabilização criminal pelo incêndio, afirma Barbosa Jr.
Para o autor, a retirada das bets pode ameaçar um modelo de negócios, mas não a existência do Flamengo. Ele defende que o clube busque outras formas de receita sem tornar sua grandeza dependente do empobrecimento de seus torcedores.



