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Nobel de Literatura de 2019 amplia crise da Academia Sueca

A escolha de Peter Handke ocorre após escândalo de abuso sexual, vazamento de vencedores e mudanças no estatuto da Academia Sueca.

Nobel de Literatura de 2019 amplia crise da Academia Sueca

A escolha do escritor Peter Handke para o Nobel de Literatura de 2019 amplia a crise que levou a Academia Sueca a suspender a premiação no ano anterior. A instituição enfrenta denúncias de abuso sexual, vazamento de informações sigilosas e limitações em seu próprio estatuto.

Em 2018, a Academia não escolhe um vencedor pela primeira vez em décadas. A decisão ocorre depois que 18 mulheres acusam Jean-Claude Arnault de assédio e agressão sexual. Arnault é casado com Katarina Frostenson, poeta e membra da Academia, e acaba condenado por estupro.

A investigação também aponta conflito de interesses: a instituição financia o clube cultural do casal, do qual Frostenson é coproprietária. Arnault ainda é acusado de revelar os nomes de sete vencedores do Nobel desde 1996. A suspeita é de que as informações sejam usadas em apostas antes do anúncio oficial.

Mudanças no estatuto

A crise provoca a saída de membros da Academia, mas o regimento mantém os assentos ocupados no papel. O estatuto, criado em 1895 e com 132 anos à época, não prevê renúncia: as vagas só são abertas por morte ou expulsão.

Com dez membros ativos entre 18, a Academia fica sem o quórum de 12 exigido para decisões como a eleição de novos integrantes. O rei da Suécia, Carl XVI Gustaf, altera o estatuto e permite a renúncia formal. Regras posteriores também autorizam a Coroa a dispensar, em determinadas circunstâncias, o quórum de 12 acadêmicos.

Após o adiamento, a Academia anuncia dois prêmios de uma vez: Olga Tokarczuk recebe o Nobel de 2018, e Handke, o de 2019.

Controvérsia sobre Handke

O escritor é conhecido por obras como A Angústia do Goleiro Diante do Pênalti e Insulto ao Público. Ele também publica A Journey to the Rivers: Justice for Serbia, livro pelo qual é acusado de minimizar crimes cometidos pelas forças sérvias nas guerras da antiga Iugoslávia.

Handke discursa no funeral de Slobodan Milošević, ditador sérvio que morre enquanto responde, sem veredicto, por genocídio e crimes contra a humanidade no Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia. Em entrevista ao semanário alemão Die Zeit, em novembro de 2019, ele rejeita as críticas: “É literatura.”

Albânia, Bósnia, Croácia, Kosovo e Turquia boicotam a cerimônia. Dias antes, questionado sobre o genocídio de Srebrenica, Handke muda de assunto e declara: “Meu povo são os leitores, não vocês.”

Texto produzido pela Redação Fato em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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