RIO DE JANEIRO — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirma que não concorda com a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A medida ocorre no final de maio deste ano, e Lula diz que o combate às facções exige a união dos entes federativos.
Durante um evento de apresentação das forças de segurança no Rio de Janeiro, o presidente também acusa o ex-presidente Jair Bolsonaro de ter praticado terrorismo de Estado ao tentar dar um golpe no 8 de Janeiro. Bolsonaro cumpre prisão domiciliar após condenação da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) na trama golpista.
“Eu não aceito a ideia de que as facções bandidas são terroristas, como diz o (governo de Donald) Trump”, afirma Lula. Na avaliação dele, o terrorismo de Estado estaria relacionado ao plano de matar o próprio presidente, Geraldo Alckmin e Alexandre de Moraes.
Combate ao crime organizado
Lula afirma que as facções exercem violência sobre moradores de periferias, pessoas nas escolas e famílias submetidas à cobrança de pedágio ligada ao gás e a benefícios oferecidos pelo governo. O presidente diz que o objetivo é retirar esses grupos dos territórios.
Ele defende a participação conjunta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios no enfrentamento ao crime organizado. Também afirma que a estratégia deve alcançar os chefes do tráfico, e não apenas integrantes que atuam nas ruas.
Para Lula, os líderes das organizações criminosas permanecem protegidos e distantes das áreas onde os crimes são cometidos. Ele compara essa estrutura à exploração ilegal de garimpos, em que operações podem destruir equipamentos sem localizar os responsáveis.
A segurança pública é apontada como a principal preocupação do eleitorado brasileiro entre os temas da campanha eleitoral, segundo pesquisas. Flávio Bolsonaro, principal adversário de Lula, tenta associar o presidente ao fracasso na segurança desde o início da campanha presidencial.



