O governo Luiz Inácio Lula da Silva rejeita as acusações de Donald Trump sobre uma suposta omissão do Brasil no combate ao crime organizado transnacional. Em nota, o Ministério da Justiça e Segurança Pública afirma que o país mantém ações contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), além de cooperação com os Estados Unidos.
A reação ocorre após o governo norte-americano enviar ao Congresso, em 15 de setembro, um documento com críticas ao Brasil. O texto cobra “medidas enérgicas” e “urgentes” contra as duas organizações, incluídas recentemente por Washington em sua lista de organizações terroristas.
Contestação do governo brasileiro
O Ministério da Justiça afirma que o Brasil não integra a relação oficial dos 23 países identificados pelos Estados Unidos como principais produtores ou rotas de trânsito de drogas. Para a pasta, a referência ao país no documento norte-americano não representa uma classificação formal de descumprimento.
“A alusão registrada no texto não corresponde à categoria jurídica de descumprimento formal prevista na legislação norte-americana”, afirma a nota. O governo brasileiro classifica a menção como uma manifestação circunstancial presente na parte narrativa do documento, sem efeito na parte dispositiva.
A nota também cita a Lei Antifacção, sancionada em março de 2026, com previsão de penas mais severas para líderes de facções e mecanismos voltados à redução dos recursos das organizações criminosas.
Operações e cooperação internacional
O governo afirma que forças federais realizam dezenas de milhares de operações de combate ao crime, com bilhões de reais em prejuízos para os criminosos. Também destaca ações do programa Brasil contra o Crime Organizado, lançado em maio de 2026.
A estratégia inclui o bloqueio financeiro das facções, o fortalecimento do sistema prisional, a qualificação das investigações de homicídios e o combate ao tráfico de armas.
A nota menciona ainda uma proposta apresentada pessoalmente por Lula em 7/5/2026, em Washington, com medidas conjuntas para combater a lavagem de dinheiro, compartilhar inteligência e enfrentar o tráfico de armas. O governo brasileiro afirma que ainda aguarda uma possível resposta dos Estados Unidos.
O Ministério da Justiça reafirma que o combate ao crime organizado é prioridade permanente e deve ser conduzido com inteligência, investigação, integração entre as forças de segurança, cooperação internacional e respeito à soberania nacional.



