O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determina o afastamento preventivo cautelar do delegado da Polícia Federal Leandro Almada da Costa do cargo de Diretor de Inteligência Policial (DIP). A decisão, tomada nesta terça-feira (8), também alcança o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues.
Almada ocupava a direção do DIP desde dezembro de 2024, em Brasília. No cargo, centralizava o suporte analítico a inquéritos sigilosos em andamento no STF e no Superior Tribunal de Justiça (STJ), incluindo investigações sobre atos antidemocráticos e redes ilícitas de monitoramento.
Depoimento sobre a Bahia
O delegado ganhou destaque ao chefiar a Superintendência Regional da PF na Bahia durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2022. Em depoimento prestado à própria Polícia Federal em maio de 2023, relatou uma reunião realizada às vésperas da votação.
Segundo o depoimento, o então ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, acompanhado do então diretor-geral da PF, Márcio Nunes, tentou pressionar a corporação a realizar operações ostensivas conjuntas com a Polícia Rodoviária Federal (PRF).
A reunião envolveu uma lista de municípios baianos identificados como redutos eleitorais favoráveis à oposição. A justificativa apresentada era o combate a uma suposta compra de votos, mas, conforme o relato de Almada, não foram apresentados relatório pericial, prova ou indício formalizado para sustentar a suspeita.
O delegado se recusou formalmente a executar a operação conjunta e classificou a proposta como “inadequada”. Com isso, manteve o planejamento de segurança original. As declarações passaram a integrar inquéritos sobre o uso da estrutura estatal para fins eleitorais.
Atuação no Amazonas e no Rio
Em abril de 2021, Almada assumiu a Superintendência da PF no Amazonas, substituindo Alexandre Saraiva. Ele manteve as ações de combate a crimes ambientais por meio do Grupo de Investigações Ambientais Sensíveis (GIASE/AM).
Em 2023, durante a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi designado para comandar a Superintendência da PF no Rio de Janeiro. A nomeação enfrentou oposição e tentativas de veto do então governador fluminense Cláudio Castro.
Almada também comandou, em 2019, o inquérito federal sobre uma estrutura montada na Polícia Civil do Rio de Janeiro para desviar a investigação das mortes de Marielle Franco e Anderson Gomes. Em seu retorno ao comando da PF no estado, sua equipe apoiou as delações premiadas de Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz. As investigações levaram à prisão dos irmãos Chiquinho e Domingos Brazão, apontados como mandantes, e ao indiciamento e à prisão do ex-chefe da Polícia Civil Rivaldo Barbosa por planejamento e obstrução de justiça.



