BRASÍLIA — Luiz Inácio Lula da Silva reúne auxiliares no Palácio da Alvorada, na manhã desta terça-feira, para definir a reação do governo à decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que afasta preventivamente Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal.
Lula recebe a informação enquanto está com integrantes da coordenação de sua campanha. O ministro Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, participa da reunião.
A avaliação no governo é que Mendonça interfere diretamente em uma atribuição do presidente da República. O ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, comunica a interlocutores que vai recorrer. A tese será de que o magistrado viola uma competência privativa da Presidência ao determinar, de forma monocrática, o afastamento do chefe da PF.
A decisão também determina que a Corregedoria da Polícia Federal abra procedimentos para investigar a conduta de Andrei Rodrigues. O despacho prevê medidas nas áreas penal e administrativo-disciplinar.
“À Polícia Federal, por meio da sua Corregedoria, que promova a abertura de procedimentos investigatórios de natureza penal e administrativo-disciplinar voltados à apuração dos graves fatos identificados”, afirma Mendonça na decisão.
Investigações sob relatoria de Mendonça
Integrantes do governo já acompanhavam com desconfiança os movimentos recentes do ministro. André Mendonça é relator do caso Master, dos inquéritos que investigam Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, e das apurações sobre fraudes no INSS. Auxiliares de Lula relacionam essa preocupação a uma sequência de vazamentos ligados às investigações.
Mendonça afirma que vem sendo monitorado pela Polícia Federal há mais de 30 dias. O afastamento ocorre enquanto Andrei Rodrigues comanda a corporação desde o início do governo Lula.
A reação imediata do Planalto se concentra na preparação do recurso pela AGU e na formulação de uma resposta institucional à decisão. A medida amplia a tensão entre o governo federal e o ministro do STF e ocorre em meio a investigações de impacto político e jurídico.



