Raphinha chega ao novo ciclo da Seleção Brasileira como um dos pilares mantidos por Carlo Ancelotti. O atacante é convocado para os amistosos contra Austrália e Índia depois de alcançar um patamar histórico no Barcelona, mas ainda precisa transformar essa fase em atuações de peso pelo Brasil.
Na temporada 2026/27, o brasileiro marca 14 gols e dá três assistências em oito partidas. Ele também assume a braçadeira de capitão, participa de um time que vence todos os jogos até aqui e estabelece o melhor início de temporada de um jogador na história do Barcelona, acima dos melhores começos de Lionel Messi. O atacante ainda marca nas quatro primeiras rodadas de LaLiga.
A mudança no Barcelona
A evolução mais significativa ocorre em 2024/25, quando Hansi Flick amplia a liberdade de Raphinha no ataque. O jogador passa a ocupar áreas internas, atacar a área e participar da construção das jogadas. Naquela temporada, marca 34 gols e dá 25 assistências em 57 partidas, é eleito o melhor jogador de LaLiga e fica entre os principais candidatos à Bola de Ouro.
Em 2026/27, com a saída de Robert Lewandowski e sem a contratação de Julián Alvarez, Flick utiliza Raphinha como falso 9. O brasileiro combina com Lamine Yamal, recebe liberdade para deixar a referência e chega à área por diferentes posições. Dos 14 gols atuais, 12 saem em sete rodadas de La Liga e dois na Champions.
Um desafio diferente na Seleção
O Brasil não oferece automaticamente a mesma estrutura ofensiva do Barcelona. A equipe não conta com Yamal, Pedri e os mecanismos de Flick, além de não necessariamente manter a posse em zonas altas pelo mesmo período. Por isso, atuar em posição semelhante não garante a mesma quantidade de oportunidades.
O próprio Raphinha reconhece essa diferença. Antes da Copa de 2026, afirmou: “Eu já consegui entregar muito pela Seleção, sim. Obviamente que não podemos ser hipócritas e falar que foi igual ao clube”.
Pelo Brasil, a ascensão foi rápida. Depois de se destacar pelo Leeds, ele recebe a primeira convocação em 2021. Na estreia contra a Venezuela, dá duas assistências e, poucos dias depois, marca duas vezes contra o Uruguai. Em menos de um ano, vira titular.
Na Copa do Mundo do Qatar, porém, participa dos cinco jogos do Brasil sem marcar ou dar assistência. Ele mantém participação defensiva e envolvimento no jogo, mas termina o torneio sob a avaliação de que poderia ter produzido mais.
Continuidade interrompida
O trabalho com Ancelotti também é afetado por lesões. Raphinha perde a convocação de outubro de 2025 e, em março de 2026, é desconvocado após sofrer uma lesão muscular na parte posterior da coxa direita durante o amistoso contra a França. A CBF confirma o problema por exames de imagem.
Na Copa do Mundo, ele sente a mesma região contra o Haiti, deixa o campo no primeiro tempo e fica fora da partida seguinte. Contra a Noruega, retorna como opção de banco, ainda sem estar 100%, conforme reconhece Ancelotti. O atacante não entra na eliminação brasileira nas oitavas de final.
Com poucas sequências longas ao lado do treinador e em plena condição física, Raphinha ainda não tem no Brasil o mesmo ambiente para desenvolver a função ofensiva que exerce no Barcelona. Mesmo assim, Ancelotti mantém o jogador entre as peças centrais da reconstrução da equipe.



