A Berkshire Hathaway adota duas estratégias para ganhar dinheiro com o avanço da inteligência artificial: amplia o investimento na Alphabet, dona do Google, e aposta no fornecimento de energia para data centers. A informação é de Greg Abel, CEO da holding desde o início deste ano e sucessor de Warren Buffett.
A participação na Alphabet representa a frente mais tradicional. A Berkshire possui cerca de US$ 36 bilhões investidos na companhia, o equivalente a R$ 184,54 bilhões na cotação atual. O processo de compra começou ainda durante a gestão de Warren Buffett.
Só neste ano, a holding destinou mais US$ 10 bilhões para aumentar sua posição na empresa. O aporte ocorreu em uma oferta de ações da Alphabet para captar recursos destinados à expansão da infraestrutura de inteligência artificial.
Abel afirma que recebeu a proposta de participar da operação por telefone, em um domingo pela manhã. Antes de decidir, buscou a aprovação de Buffett. "Eu liguei para Warren e disse que tínhamos uma oportunidade significativa de continuar investindo no Google com um bloco substancial de ações", relatou.
Com a autorização, a Berkshire realizou o investimento com desconto de 6,5%, segundo Abel.
Energia para os data centers
A segunda estratégia está fora do mercado de ações. A Berkshire Hathaway Energy pode se beneficiar do crescimento dos data centers, estruturas que armazenam e processam dados usados pelas ferramentas de inteligência artificial.
O braço de energia da holding opera redes de distribuição, transmissão e geração elétrica para milhões de clientes residenciais, comerciais e industriais nos Estados Unidos, Reino Unido e Canadá. Para Abel, a capacidade de gerar energia suficiente é o principal gargalo para a expansão da inteligência artificial.
A construção de data centers nos Estados Unidos aumenta a demanda por eletricidade e, em alguns mercados, já pressiona redes de transmissão e projetos de geração. A Berkshire avalia que pode elevar suas receitas ao fornecer energia para empresas de tecnologia que ampliam suas operações no setor.
Abel afirma, porém, que os contratos só serão fechados se não houver aumento de tarifas para os consumidores tradicionais. Assim, a holding busca ganhos tanto como acionista da Alphabet, caso o Google tenha retornos expressivos com a inteligência artificial, quanto pelo fornecimento de energia demandada pelos gigantes de tecnologia.



