O combate às fraudes no etanol deve envolver distribuidoras e usinas, além de integrar o esforço para recuperar a confiança dos consumidores, afirma Abel Leitão, presidente da Brasilcom (Associação das Distribuidoras de Combustíveis). A declaração ocorre durante a 9ª Conferência Nova Cana, em debate sobre políticas públicas e estratégias para o próximo ciclo do setor.
Leitão relaciona parte da resistência ao etanol a experiências negativas no abastecimento. Para ele, as reclamações dos consumidores indicam problemas que precisam ser reconhecidos pelo setor, e não atribuídos apenas à comunicação.
Segundo o presidente da Brasilcom, as fraudes se concentram no etanol hidratado e aumentam a desconfiança de quem abastece. O mercado irregular, avalia, prejudica a imagem do combustível e pode reduzir a disposição dos motoristas para realizar novas compras.
Mudança tributária
A entidade defende a antecipação da monofasia tributária, modelo que concentra o recolhimento do tributo em uma etapa da cadeia. Leitão afirma que a alteração não deveria esperar todo o calendário da nova reforma tributária, diante da dimensão das fraudes.
Na avaliação do dirigente, combater o mercado irregular também melhora a percepção do consumidor. Experiências ruins podem gerar receio de voltar a abastecer com etanol e limitar os efeitos das ações de promoção do combustível.
Diferentes tipos de motor
Leitão também pede que a oferta de combustíveis considere as necessidades de diferentes veículos e equipamentos, com atenção à compatibilidade entre o produto e o motor para o qual foi projetado.
Durante o debate, ele relatou dificuldade para encontrar gasolina premium em uma viagem pela rodovia Presidente Dutra e defendeu uma alternativa com menor teor de etanol para determinados segmentos. A proposta, segundo ele, faz parte de uma estratégia de segmentação do mercado e pode evitar experiências que prejudiquem a confiança dos consumidores.
O presidente da Brasilcom pondera que isso não significa disponibilizar um número ilimitado de misturas nos postos. A multiplicação das opções, afirmou, criaria dificuldades logísticas para a distribuição.



