A procura dos brasileiros por crédito cresce 17,1% no acumulado de 12 meses até julho, com maior avanço entre consumidores que ganham de um a dois salários mínimos. Nessa faixa, a demanda aumenta 38,8%, conforme o Indicador de Demanda do Consumidor por Crédito da Serasa Experian.
A pesquisa Datafolha publicada na sexta-feira, 11, mostra que essa faixa de renda também concentra a maior vantagem de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro nas intenções de voto. No cenário estimulado de primeiro turno, Lula registra 47%, contra 27% de Flávio entre eleitores com renda familiar de até dois salários mínimos.
Demanda por faixa de renda
A segunda maior alta na procura por crédito aparece entre consumidores que recebem até um salário mínimo, com crescimento de 16,7%. Entre os brasileiros com renda de cinco a dez salários mínimos, o avanço é de 14,8%. Já na faixa de dois a cinco salários mínimos, a demanda recua 0,6% no acumulado de 12 meses.
Na mesma pesquisa eleitoral, Flávio Bolsonaro tem 42% das intenções de voto entre pessoas com renda de dois a cinco salários mínimos, ante 31% de Lula. Entre aqueles que recebem mais de cinco salários mínimos, o senador aparece com 47%, enquanto o presidente registra 27%.
A Serasa informa que 74,6% da renda dos brasileiros está comprometida, em média, com contas básicas, fatura do cartão de crédito e pagamento de dívidas. Entre consumidores que ganham de um a dois salários mínimos, o percentual se aproxima de 87%.
Para Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, o aumento mais intenso entre consumidores de menor renda ocorre mesmo com crédito mais caro e seletivo. Ela afirma que o comprometimento da renda familiar com dívidas permanece próximo de 29% da renda mensal, enquanto o endividamento fica ao redor de 50% da renda acumulada em 12 meses.
O indicador é calculado a partir de uma amostra de CPFs consultados mensalmente na base da Serasa Experian durante processos de avaliação para concessão de crédito. O resultado representa a intenção ou a busca por recursos, mas não confirma que a operação foi aprovada ou contratada.



