Os diamantes produzidos em laboratório ampliam sua presença no mercado de luxo ao combinar custo menor, liberdade de design e apelo sustentável. A alternativa atende a consumidores que querem evitar problemas associados à mineração, como trabalho escravo e destruição ambiental.
Fabricadas a partir de carbono submetido a altas temperaturas, essas pedras têm a mesma composição química e aparência visual dos diamantes naturais. O preço, porém, pode ser 80% menor. A produção se concentra especialmente em países como a China.
Criados nos anos 1950, os diamantes artificiais avançam em qualidade e escala industrial nas últimas duas décadas. Em 2025, o mercado global movimentou 29,5 bilhões de dólares. A previsão é alcançar 33,5 bilhões de dólares até o fim deste ano, com crescimento médio anual de cerca de 13% até 2034.
Joalherias e celebridades
A atriz Demi Moore apareceu no Festival de Cannes usando um colar de 151 quilates produzido com diamantes artificiais. A peça foi encomendada à Swarovski, pertence à linha Created Diamonds e é avaliada em 400 000 dólares. A coleção reproduz pedras que levariam milhões de anos para se formar na natureza.
A Swarovski direciona parte de sua estratégia para peças maximalistas e de estética descrita como “luxo pop”. A Pandora passou a produzir joias apenas com diamantes de laboratório. As peças da Swarovski já estão disponíveis para venda inclusive no Brasil. Jean Dousset, trineto de Louis Cartier, também usa exclusivamente pedras produzidas em laboratório.
Disputa sobre o conceito de luxo
Joalherias tradicionais ainda resistem à mudança por considerar que o diamante natural mantém uma condição de exclusividade. Para João Braga, professor de história da moda na Faap, “O luxo está ligado à raridade, origem e tradição”.
Defensores das pedras naturais afirmam que a extração, quando segue normas ambientais e sociais, gera emprego e arrecadação. A geóloga Gracia Baião, do Instituto Brasileiro de Gemas, resume a diferença: “São produtos com propostas diferentes, e não substitutos”.
A expansão dos diamantes de laboratório não elimina necessariamente as pedras naturais, mas fortalece um modelo de consumo mais ligado ao design, ao tamanho e à personalização do que à raridade.



