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Processadoras chinesas de soja enfrentam custos maiores e margens negativas

Estoques menores no Brasil e tarifas sobre produtos dos EUA pressionam o abastecimento das empresas privadas na China.

Processadoras chinesas de soja enfrentam custos maiores e margens negativas

As processadoras privadas de soja da China enfrentam oferta mais apertada no quarto trimestre, com custos maiores e margens negativas. A pressão aumenta à medida que os estoques diminuem no Brasil, principal exportador da commodity, enquanto as tarifas mantêm os carregamentos dos Estados Unidos praticamente fora do alcance das empresas chinesas.

O setor também lida com a queda da demanda por ração, associada à redução do rebanho suíno chinês. As empresas esperam que a visita do presidente Xi Jinping a Washington neste mês leve Pequim a diminuir a tarifa de importação de 10% sobre produtos agrícolas dos EUA.

O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirma que os dois países farão “alguns anúncios sobre agricultura e barreiras não tarifárias” durante a cúpula, mas não detalha as medidas. Para Johnny Xiang, fundador da AgRadar Consulting, as usinas privadas precisarão acessar a soja norte-americana conforme a América do Sul se aproxima do fim da safra. Uma alternativa seria o leilão das reservas da Sinograin, empresa estatal chinesa de estocagem.

Preços e margens

Os futuros de referência da soja dos EUA sobem quase 12% desde as mínimas de junho. O movimento é impulsionado pelo clima adverso nos Estados Unidos, pelas compras estatais chinesas e pela expectativa de que o fenômeno El Niño reduza a oferta global.

A soja brasileira para embarque em novembro é cotada com prêmio de US$ 3,15 a US$ 3,20 por bushel sobre o contrato de novembro da Bolsa de Chicago, incluindo custo e frete para a China. Cargas semelhantes do Golfo dos EUA são oferecidas a US$ 3,20 a US$ 3,25 por bushel, sem tarifas.

Mesmo sem a tarifa adicional de 10%, as importações norte-americanas para embarque entre outubro e janeiro gerariam margens negativas aos preços atuais. Rosa Wang, analista da Shanghai JC Intelligence Co., e outros três operadores e analistas calculam perdas de 150 a 230 iuanes (US$ 22,35 a US$ 34,27) por tonelada para embarques de outubro a dezembro.

As importações para outubro estão em grande parte concluídas. Para novembro, os compradores reservaram 4,8 milhões de toneladas, cerca de 60% da demanda projetada. As compras para dezembro e janeiro ainda estão no início.

Limitações no Brasil

O Brasil tem espaço limitado para ampliar as vendas à China no quarto trimestre, diante da demanda de outros compradores e da forte atividade de esmagamento no mercado interno. Os produtores brasileiros venderam 82% da safra 2025/26 até o fim de julho, ante 78% no ano anterior. O índice provavelmente está próximo de 85%, segundo Rafael Silveira, da Safras & Mercado.

Os embarques brasileiros para a China até 25 de agosto ficaram 2,6 milhões de toneladas abaixo do registrado no ano anterior. No mesmo período, as exportações para outros destinos cresceram 6 milhões de toneladas, de acordo com Eduardo Vanin, estrategista sênior de agricultura da Marex em Curitiba.

A próxima safra brasileira está prevista apenas para o início de 2027. A Argentina forneceu 7,9 milhões de toneladas adicionais de soja à China em 2025, alta de 92,4% em relação a 2024. Esse estoque de segurança deve diminuir em 2026, sem incentivos de política semelhantes.

Texto produzido pela Redação Fato em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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