A percepção de risco político entre investidores de fundos imobiliários aumentou de 10% em 2024 para 70% em 2026. O ambiente político passou a ser apontado como fator de forte redução da disposição para investir, segundo a Pesquisa de Perfil do Investidor de Fundos Imobiliários, realizada com investidores da base do Clube FII.
O risco de mercado aparece em seguida, citado por 85% dos cotistas. Também são mencionados inadimplência, por 78%, e vacância, por 75%.
Mesmo nesse cenário, 97% dos participantes consideram os FIIs um pilar da estratégia de aposentadoria. O fluxo de renda mensal é o principal motivo para permanecer no segmento, apontado por 94%. A isenção de Imposto de Renda sobre os proventos é citada por 77%, enquanto 52% valorizam a exposição ao setor imobiliário sem a burocracia de comprar um imóvel físico.
A carteira média também ficou mais diversificada. O investidor possui 18 fundos, ante 9,7 em 2020, uma alta de 84,5%. Os fundos de recebíveis imobiliários estão presentes em 67% das carteiras e registram 67% de atratividade para novos aportes. Os galpões logísticos aparecem em 66% das carteiras e lideram a intenção de investimento, com 75%.
Fundos híbridos participam de 57% das carteiras, seguidos por shopping centers, com 55%, lajes corporativas, com 52%, e fundos de fundos, com 28%. Entre as gestoras, Kinea Investimentos é citada por 63% dos participantes. BTG Pactual aparece com 30%, Pátria com 29%, XP com 16% e Hedge/CSHG com 13%.
Perfil e patrimônio
A pesquisa indica ainda maior presença de investidores experientes. A parcela com mais de cinco anos de atuação subiu de 13% em 2020 para 60% em 2026. No mesmo período, a participação de iniciantes, com até um ano de experiência, caiu de 36% para 4%.
O patrimônio investido também avançou. A fatia com mais de R$ 500 mil aplicados em FIIs cresceu 37% entre outubro de 2024 e junho de 2026 e chegou a 37% do total. Outros 32% declararam ter entre R$ 100 mil e R$ 500 mil investidos.
A gestão própria predomina: 97% dizem administrar diretamente as posições, sem assessor de investimento ou gerente bancário. Para Fabio Tadeu Araújo, CEO da Brain, o custo e a simplicidade dos fundos ajudam a explicar esse comportamento. “Se é simples, por que vou pagar para um gestor fazer isso?”, questiona.
Realizado em junho de 2026, o levantamento aponta que a Selic estava em 14,50% ao ano. A amostra é formada majoritariamente por homens, que representam 89%. Baby Boomers, de 62 a 80 anos, são 42%, e a Geração X, de 46 a 61 anos, soma 38%.
A maior parte dos participantes está no Sudeste: São Paulo reúne 43%, Rio, 12%, e Minas, 8%. A base inclui aposentados, com 22%; engenheiros, com 15%; profissionais de TI, com 8%; servidores públicos, com 7%; e administradores, também com 7%. O mercado reúne cerca de 3,2 milhões de investidores, considerando os CPFs cadastrados na B3.



