MIAMI — A migração de fortunas para a Flórida impulsiona a nova fase do mercado imobiliário de Miami. A quantidade de contribuintes que ganham mais de 1 milhão de dólares por ano quadruplicou no Estado do Sol, passando de 19 450, em 2010, para 77 670, em 2022.
A mudança ajuda a explicar a construção de 27 edifícios com mais de 150 metros, ou quarenta andares. O movimento ganhou força depois que a autoridade de aviação civil americana autorizou prédios de até 320 metros. A região metropolitana de Miami já é a segunda mais cara dos Estados Unidos, atrás apenas de San Francisco, com imóveis cujo metro quadrado supera 20 000 dólares.
Marcas e novos moradores
Os empreendimentos combinam apartamentos de alto padrão com elevadores capazes de transportar carros, piscinas privativas com vista para o mar, jardins suspensos, restaurantes estrelados, concierge 24 horas e beach clubs privados. Porsche, Aston Martin e o legado de Frida Kahlo estão entre as marcas associadas às torres.
A corretora Ana Bozovic, fundadora da Analytics Miami, define a nova etapa como “êxodo em eco”. Para ela, o movimento representa uma mudança de riqueza, além do crescimento populacional. Ken Griffin, dono do fundo de investimentos Citadel, transferiu a sede da empresa de Chicago para Miami. Mark Zuckerberg pagou 170 milhões de dólares por uma mansão em construção em Indian Creek.
O presidente Donald Trump pretende erguer uma biblioteca presidencial e um hotel em uma torre de 47 andares, em terreno doado pela Miami Dade College. Os fatores fiscais se somam à segurança patrimonial e ao estilo de vida procurado pelos novos moradores.
Corrida pelo topo
A filial do hotel Waldorf Astoria deve atingir 320 metros e superar os 290 do Cipriani Residences. A inauguração está prevista para 2028. Em 2030, o 888 Brickell by Dolce & Gabbana deve alcançar a mesma altura.
A expansão ocorre em uma cidade assentada sobre terrenos porosos, vulneráveis a inundações, tempestades e à elevação do nível do mar. O código de construção exige resistência à Zona de Furacões e Ventos de Alta Velocidade, com rajadas que podem chegar a 300 quilômetros por hora. Para Luciana Royer, professora de planejamento urbano da FAU-USP, o desafio é garantir que Miami consiga se sustentar no chão, além de construir mais alto.



