FRANÇA — Gisèle Pelicot participa de uma campanha de conscientização sobre violências sexuais cometidas depois que as vítimas são drogadas. A iniciativa é criada pela associação M’endors Pas, fundada por Caroline Darian, filha de Gisèle, e circula na televisão, nas redes sociais, na imprensa e em cartazes espalhados pelo país.
Aos 73 anos, Pelicot aparece em um dos vídeos e orienta pessoas que suspeitam ter sofrido abuso a procurar o CRAFS, centro especializado em agressões facilitadas por substâncias e ligado ao sistema público de hospitais universitários de Paris. A campanha também se dirige a quem não consegue se lembrar do que ocorreu.
Dados apresentados na iniciativa indicam que, em 75% dos casos de violência sexual cometida sob efeito de drogas, o agressor é alguém próximo, como familiar ou amigo. Darian afirma acreditar que foi drogada e agredida por seu pai, Dominique Pelicot, ex-marido de Gisèle.
“Quando você lança uma campanha dessa magnitude, ter o apoio da minha mãe transmite uma mensagem muito poderosa”, afirma Darian. Para ela, a participação de Gisèle também mostra às vítimas que é possível se reerguer.
Caso Pelicot
O caso ganhou repercussão mundial depois que Gisèle descobriu que Dominique a dopava havia anos e convidava outros homens para abusar sexualmente dela enquanto estava inconsciente. Em 2024, ele foi condenado a 20 anos de prisão, e outros 50 homens foram considerados culpados por crimes sexuais relacionados ao caso.
A campanha amplia a mobilização após o julgamento e a discussão sobre a chamada submissão química na França. Em 2024, organizações que atendem mulheres vítimas de violência relataram aumento nas denúncias de suspeitas desse tipo após a repercussão do caso.
“Só porque você não se lembra de algo, não significa que não haja vestígios disso”, diz Darian.



