RIO DE JANEIRO — A Petrobras supera pela primeira vez R$ 700 bilhões em valor de mercado após as ações subirem na sexta-feira (2). A ação preferencial PETR4 avançou 2,81%, enquanto os papéis ordinários PETR3 ganharam 3,25% e fecharam a R$ 56,62.
A alta acrescentou R$ 20,9 bilhões ao valor de mercado da estatal em um único pregão. A PETR4 foi a terceira ação mais negociada da B3, com cerca de 67,3 mil negócios e giro financeiro de R$ 2,664 bilhões, em um dia de volatilidade pré-eleitoral.
Desde o início de 2026, a PETR4 acumula alta de 66,62%. No mesmo período, a PETR3 sobe 75,29%. O recorde anterior de valor de mercado havia sido registrado em 16 de setembro, quando a companhia encerrou o dia avaliada em R$ 693,14 bilhões.
Descoberta no Amapá
O avanço não foi acompanhado pelo petróleo Brent. O contrato mais líquido para dezembro caiu 0,06%, a US$ 102,25, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
O principal fator associado à alta foi uma nova descoberta no poço Morpho, na Margem Equatorial, a 175 quilômetros da costa do Amapá. O poço 1-BRSA-1405-APS fica em águas ultra profundas, em lâmina d’água de 2.886 metros, na bacia da Foz do Amazonas. A descoberta anterior havia sido feita em meados de agosto.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirma que a perfuração já terminou e que a operação entra na fase de manobras e procedimentos de saída, com testes e atividades pós-perfuração. A desmobilização está prevista para o final de outubro.
“Vamos perfurar mais três poços para delimitar a descoberta, isso deve ser no primeiro trimestre de 2027”, disse Chambriard em entrevista coletiva na sede da companhia, no Rio de Janeiro. Segundo ela, a confirmação de uma nova fronteira exploratória ainda depende dos trabalhos seguintes.
Informações técnicas sobre o poço, incluindo profundidade dos indícios, características da rocha e espessuras encontradas, permanecem sob confidencialidade. A presidente afirma que o operador pode manter esses dados em sigilo por até dois anos.
Avaliação e próximos passos
A Ativa Investimentos considera a descoberta positiva para a tese de longo prazo, mas não incorpora volumes da Margem Equatorial às estimativas de curto prazo. Para os analistas, o potencial permanece como uma opção ainda não precificada.
A comercialidade depende de etapas como a conclusão do poço, o Plano de Avaliação de Descoberta junto à ANP, poços de delimitação, eventual teste de formação, Declaração de Comercialidade, Plano de Desenvolvimento e decisão final de investimento.
Em áreas de águas ultraprofundas, o intervalo entre a descoberta e o primeiro óleo costuma ficar entre 5 e 10 anos. A Ativa também aponta risco de judicialização e afirma que cada nova etapa exige novo licenciamento.



