O lucro líquido do PagBank, antiga PagSeguro, pode cair de 1% a 3% em outubro após a proibição das bets no país, estima o Bank of America (BofA). A instituição também prevê redução nos volumes movimentados por empresas de pagamento que processavam transferências para plataformas de apostas.
Entre as companhias do setor listadas na B3, o PagBank está entre as mais expostas. De acordo com a análise do BofA, de 4% a 6% dos pagamentos transacionados pela fintech tinham origem em operações com bets. Esse volume correspondia a cerca de 8% de todas as movimentações das plataformas no Brasil, incluindo depósitos de usuários e prêmios pagos a vencedores.
As operadoras de apostas regulares receberam 88,5 bilhões de reais em depósitos no primeiro semestre deste ano, segundo o BofA. Quase todos os pagamentos foram feitos via Pix, porque o uso de cartão de crédito para a atividade foi proibido quando o setor foi regulamentado, em 2023.
Efeito da proibição
O cálculo para outubro considera a retração das movimentações ligadas aos jogos. Um levantamento baseado em dados do Banco Central indica que as transações via Pix no país caíram 10% nos últimos dias, após a entrada em vigor da proibição de novos depósitos nas plataformas.
As projeções do BofA para os meses seguintes e para os resultados e as ações da companhia permanecem inalteradas por enquanto. O banco, porém, afirma que as estimativas podem ser revisadas conforme o andamento da medida.
A proibição foi determinada por medida provisória editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e já está em vigor. Para se tornar permanente, o texto precisa ser votado e aprovado pelo Congresso nos próximos 120 dias.
A Stone também está listada na B3 e processa pagamentos para empresas, mas o BofA estima impacto limitado sobre a companhia. A instituição afirma que a empresa atende principalmente outros públicos, enquanto o PagBank tem maior concentração em grandes empresas, comércio eletrônico, operações internacionais e negócios de apostas.



