Santos, Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,22 · Euro R$ 5,92 · Ibovespa 183.828 -0,00% Santos 23°C 22° / 27°
Notícia a toda hora
Economia

Tenda cai 4,5% mesmo após anunciar recompra de ações

Construtora enfrenta atrasos no Pode Entrar e maior rigor da Caixa, enquanto BTG Pactual e JP Morgan mantêm recomendação de compra.

Tenda cai 4,5% mesmo após anunciar recompra de ações

As ações da Tenda recuam 4,5% na B3 nesta quarta-feira (30), cotadas a R$ 26,09 por volta das 13h50 (de Brasília). O movimento ocorre mesmo após a companhia anunciar um programa de recompra de até 5 milhões de ações ordinárias.

É o segundo pregão consecutivo de baixa. Na terça-feira (29), TEND3 caiu 4,17%. Com as perdas, o papel acumula desvalorização de cerca de 21% em um mês, embora ainda registre alta de aproximadamente 12% no acumulado de 2026.

No mesmo horário, a MRV subia 1,12% e a Cury recuava 3,45%. O Ibovespa avançava 1,55%, aos 186.681 pontos.

Atrasos no Pode Entrar

A pressão sobre a Tenda aumenta após a empresa detalhar, em visita a canteiros de obras com analistas, questões operacionais relacionadas ao programa habitacional Pode Entrar e às condições de crédito da Caixa Econômica Federal.

Em documento divulgado ao mercado, a companhia informou que tem R$ 52,7 milhões em valores atrasados a receber da Prefeitura de São Paulo pelo programa. Também há R$ 21,79 milhões referentes a correção, juros e multa, levando o total em atraso a quase R$ 75 milhões.

A Tenda ainda mantém dois projetos no Pode Entrar, Cittá e Guarapiranga, com entrega prevista dentro do prazo. Os empreendimentos somam aproximadamente R$ 170 milhões em recebíveis, entre valores atrasados e não atrasados.

O BTG Pactual avaliou que a demora nos pagamentos, a complexidade dos projetos e o cronograma apertado reduziram a taxa interna de retorno esperada. Para os analistas Gustavo Cambauva e Gustavo Fabris, lançamentos tradicionais são mais rentáveis.

Caixa mais rigorosa

A empresa também citou impactos de medidas recentes da Caixa, incluindo a greve dos funcionários iniciada em 10 de setembro, que provocou represamento burocrático nas agências de financiamento imobiliário.

A maior rigidez na concessão de crédito, principalmente para compradores de baixa renda e clientes com renda informal ou mista, reduziu a conversão de vendas e elevou os cancelamentos. O BTG afirma que esse movimento deve afetar negativamente os resultados do terceiro trimestre de 2026.

“A administração da Tenda observou que a CEF tem sido muito mais restritiva na análise de crédito imobiliário para compradores de baixa renda”, escreveram Cambauva e Fabris.

O banco mantém recomendação de compra para TEND3 e preço-alvo de R$ 45, com potencial de alta de aproximadamente 72%. Também destacou a industrialização e a internalização de etapas da construção como fatores de produtividade.

Avaliações dos bancos

O JP Morgan classificou como cautelosa a postura da Tenda em relação ao terceiro trimestre de 2026. O banco espera impacto na velocidade de vendas entre julho e setembro, em razão do aumento dos cancelamentos e da exigência de pontuação de crédito da Caixa.

Segundo o JP Morgan, os R$ 75 milhões do Pode Entrar estão atrasados desde maio, mas não devem afetar o resultado do terceiro trimestre e devem ser resolvidos em breve. O banco também citou o projeto Cittá Vila Prudente, previsto para ser entregue em menos de 24 meses e sem estouro de custos.

A instituição mantém recomendação equivalente à compra para TEND3, com preço-alvo de R$ 52,50 e potencial de alta de aproximadamente 100%. O banco ainda apontou possível pressão inflacionária associada ao diesel e afirmou que o crescimento dos lançamentos da Tenda em 2027 pode ficar abaixo do esperado.

Texto produzido pela Redação Fato em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.