As ações da Tenda recuam 4,5% na B3 nesta quarta-feira (30), cotadas a R$ 26,09 por volta das 13h50 (de Brasília). O movimento ocorre mesmo após a companhia anunciar um programa de recompra de até 5 milhões de ações ordinárias.
É o segundo pregão consecutivo de baixa. Na terça-feira (29), TEND3 caiu 4,17%. Com as perdas, o papel acumula desvalorização de cerca de 21% em um mês, embora ainda registre alta de aproximadamente 12% no acumulado de 2026.
No mesmo horário, a MRV subia 1,12% e a Cury recuava 3,45%. O Ibovespa avançava 1,55%, aos 186.681 pontos.
Atrasos no Pode Entrar
A pressão sobre a Tenda aumenta após a empresa detalhar, em visita a canteiros de obras com analistas, questões operacionais relacionadas ao programa habitacional Pode Entrar e às condições de crédito da Caixa Econômica Federal.
Em documento divulgado ao mercado, a companhia informou que tem R$ 52,7 milhões em valores atrasados a receber da Prefeitura de São Paulo pelo programa. Também há R$ 21,79 milhões referentes a correção, juros e multa, levando o total em atraso a quase R$ 75 milhões.
A Tenda ainda mantém dois projetos no Pode Entrar, Cittá e Guarapiranga, com entrega prevista dentro do prazo. Os empreendimentos somam aproximadamente R$ 170 milhões em recebíveis, entre valores atrasados e não atrasados.
O BTG Pactual avaliou que a demora nos pagamentos, a complexidade dos projetos e o cronograma apertado reduziram a taxa interna de retorno esperada. Para os analistas Gustavo Cambauva e Gustavo Fabris, lançamentos tradicionais são mais rentáveis.
Caixa mais rigorosa
A empresa também citou impactos de medidas recentes da Caixa, incluindo a greve dos funcionários iniciada em 10 de setembro, que provocou represamento burocrático nas agências de financiamento imobiliário.
A maior rigidez na concessão de crédito, principalmente para compradores de baixa renda e clientes com renda informal ou mista, reduziu a conversão de vendas e elevou os cancelamentos. O BTG afirma que esse movimento deve afetar negativamente os resultados do terceiro trimestre de 2026.
“A administração da Tenda observou que a CEF tem sido muito mais restritiva na análise de crédito imobiliário para compradores de baixa renda”, escreveram Cambauva e Fabris.
O banco mantém recomendação de compra para TEND3 e preço-alvo de R$ 45, com potencial de alta de aproximadamente 72%. Também destacou a industrialização e a internalização de etapas da construção como fatores de produtividade.
Avaliações dos bancos
O JP Morgan classificou como cautelosa a postura da Tenda em relação ao terceiro trimestre de 2026. O banco espera impacto na velocidade de vendas entre julho e setembro, em razão do aumento dos cancelamentos e da exigência de pontuação de crédito da Caixa.
Segundo o JP Morgan, os R$ 75 milhões do Pode Entrar estão atrasados desde maio, mas não devem afetar o resultado do terceiro trimestre e devem ser resolvidos em breve. O banco também citou o projeto Cittá Vila Prudente, previsto para ser entregue em menos de 24 meses e sem estouro de custos.
A instituição mantém recomendação equivalente à compra para TEND3, com preço-alvo de R$ 52,50 e potencial de alta de aproximadamente 100%. O banco ainda apontou possível pressão inflacionária associada ao diesel e afirmou que o crescimento dos lançamentos da Tenda em 2027 pode ficar abaixo do esperado.



