O JPMorgan reduziu a recomendação da Natura de overweight, equivalente a compra, para neutro. O banco também cortou o preço-alvo da empresa de cosméticos de R$ 11 para R$ 8,50, com as estimativas agora voltadas para dezembro de 2027, em vez de dezembro de 2026.
A decisão considera a operação ainda complicada durante o processo de reestruturação. O banco afirma que a melhora esperada no fluxo de caixa não se confirmou, que o valuation da ação não é atrativo diante de empresas semelhantes e que a companhia enfrenta dificuldades de execução.
“Estamos assumindo as perdas decorrentes de uma execução mais uma vez decepcionante”, disse o JPMorgan. O custo de capital mais alto também levou à redução de 15% nas projeções de lucro por ação.
Varejo sob efeito das eleições
As ações de varejo podem reagir à expectativa de juros menores em 2027, mas o JPMorgan ainda vê desafios para o setor. O desconto médio dos papéis é de 60% em relação à média dos últimos 10 anos e de 50% ante a média dos últimos cinco anos, considerando a relação entre preço da ação e lucro estimado.
O banco reduziu em 2% a projeção média de lucro do setor. A avaliação é que os consumidores continuarão mais concentrados no pagamento de dívidas e na poupança do que no consumo de produtos não essenciais. A inflação em desaceleração e o desemprego mais baixo aparecem como pontos positivos, enquanto os preços dos alimentos seguem pressionando as famílias.
Medidas como a proibição das bets, o Desenrola 3.0 e o aumento do Bolsa Família podem oferecer alívio temporário. Ainda assim, o JPMorgan não espera uma recuperação forte e rápida das receitas das varejistas. Para dezembro de 2027, o potencial médio de valorização estimado é de aproximadamente 30%.
Ações preferidas
Magazine Luiza e Assaí seriam as empresas mais favorecidas por uma queda mais acentuada dos juros, por apresentarem maior endividamento. O JPMorgan, porém, vê poucos incentivos para novas posições após as altas recentes de 43,51% e 29,17%, respectivamente, no último mês.
As preferidas para a estratégia ligada às eleições estão no varejo de moda: Lojas Renner, C&A e Riachuelo. As ações subiram 7,99%, 15,13% e 1,88%, respectivamente, no mesmo período, abaixo do Ibovespa. “Vemos uma assimetria entre risco e retorno mais favorável nas empresas de vestuário”, afirmou o banco.
A C&A é apontada como a empresa com maior potencial de alta caso o setor passe por uma reprecificação positiva. A Renner tende a reagir primeiro a uma perspectiva melhor para os juros por ter maior presença na bolsa, mas não é a preferida do banco.
A Alpargatas apresenta sinais de recuperação no mercado doméstico, mas a valorização da ação já acompanha esse movimento. A SmartFit é vista como alternativa de longo prazo, enquanto a RD Saúde, dona de Raia e Drogasil, tem o maior duration entre as empresas analisadas. O banco destaca a resiliência histórica e a liderança da companhia no setor.



