A Premier League considera o Manchester City culpado em 114 das 115 acusações de violações financeiras apresentadas contra o clube. A decisão, confirmada em 29 de setembro de 2026, atinge diretamente o período de transformação do City após a compra pelo Abu Dhabi United Group, em 1º de setembro de 2008.
A comissão independente conclui que o clube utilizou contratos considerados fictícios para mascarar mais de 900 milhões de libras em financiamento secreto e inflar receitas entre 2009/10 e 2017/18. A punição ainda não foi definida. Entre as possibilidades discutidas estão perda de pontos, multas e restrições esportivas.
O Manchester City afirma estar “decepcionado e surpreso”, reitera sua inocência e anuncia que recorrerá da decisão. Richard Masters, CEO da Premier League, declara que as conclusões mostram violações sistemáticas das regras da competição durante quase uma década.
Da compra ao primeiro título inglês
O Abu Dhabi United Group, apoiado por Sheikh Mansour, compra o City por aproximadamente 200 milhões de libras e, no mesmo dia, o clube contrata Robinho, do Real Madrid, por 32,5 milhões de libras. Em 2009, os gastos com reforços passam de 100 milhões de libras, enquanto o conceito de Fair Play Financeiro começa a ganhar forma no futebol europeu.
Em 2011, o City conquista a FA Cup e fecha um acordo de dez anos, avaliado em 400 milhões de libras, com a Etihad. No ano seguinte, Sergio Agüero marca o gol da vitória por 3 a 2 sobre o Queens Park Rangers e garante ao clube seu primeiro título da Premier League em 44 anos.
Em maio de 2014, o City aceita uma multa de 49 milhões de libras, com 32 milhões suspensos, por infrações ao Fair Play Financeiro. O elenco inscrito para a Champions League também é limitado a 21 jogadores.
Guardiola e as acusações
Pep Guardiola assume o comando em 2016. Na temporada 2017/18, o City investe mais de 250 milhões de libras em seis reforços e conquista a Premier League com 100 pontos. A equipe também registra 32 vitórias, 106 gols, saldo de +79 e 18 vitórias consecutivas.
Em 2018, documentos obtidos por Rui Pinto dão início a novas investigações sobre contratos e receitas comerciais. A Uefa abre uma investigação formal em maio de 2019. Em fevereiro de 2020, bane o City das competições europeias por duas temporadas e aplica multa de 30 milhões de euros. Cinco meses depois, o Tribunal Arbitral do Esporte anula a suspensão e reduz a multa para 10 milhões de euros.
Em fevereiro de 2023, a Premier League apresenta 115 acusações relacionadas principalmente ao período entre 2009 e 2018. No mesmo ano, o City conquista a tríplice coroa, com Premier League, FA Cup e Champions League.
A audiência começa em setembro de 2024. Em maio de 2026, Guardiola deixa o clube após 593 partidas e 20 troféus. Enzo Maresca assume, mas o desfecho financeiro passa a dominar a história do Manchester City. A condenação de 29 de setembro alcança a era iniciada em 2008 e deixa clube e liga diante de um processo de recurso e definição da pena.



