O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defende a divulgação integral das investigações sobre o caso Master, após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinar o retorno de Andrei Rodrigues ao cargo de delegado e à direção-geral da Polícia Federal.
Em publicação nas redes sociais, Lula pede a “quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master”. O presidente afirma que a população precisa de explicações e de providências imediatas diante da crise institucional que, segundo ele, atingiu o Poder Judiciário. Lula também classifica o episódio como o “maior crime financeiro da história do Brasil”.
O presidente, que é candidato à reeleição, defende transparência nas apurações e critica a divulgação seletiva de informações. Para Lula, esse tipo de vazamento interfere na disputa eleitoral. Ele menciona a operação spoofing como referência, conduzida no Supremo pelo então ministro Ricardo Lewandowski para investigar a interceptação de mensagens no Telegram de autoridades da extinta operação lava jato.
Reações à decisão
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, também comenta a decisão de Dino e afirma que o Brasil “virou várzea”. Ele cobra do presidente do STF, Edson Fachin, uma solução imediata em sessão pública e diz que a questão não envolve direita ou esquerda, mas a recuperação do país.
Na terça-feira (8/9), Flávio havia apoiado a decisão do ministro André Mendonça que afastou Andrei Rodrigues e chamado o diretor-geral da PF de “pau-mandado” de Lula.
Decisão de Flávio Dino
Ao reintegrar Rodrigues, Dino impede novas medidas cautelares baseadas em atos praticados no exercício regular das funções. A restrição não alcança possíveis investigações disciplinares, que devem ser conduzidas pelos superiores hierárquicos, e não por ministros do STF.
A determinação também beneficia Leandro Almada da Costa, afastado dos cargos de delegado e diretor de inteligência policial. Com o retorno, a diretoria volta a funcionar.
Dino estabelece ainda que a decisão está submetida ao Plenário do Supremo. Assim, eventual confirmação ou recurso contra a medida não será analisado pela 1ª Turma.
Na tarde de terça-feira, a decisão de Mendonça foi submetida à 2ª Turma do STF, que formou maioria para mantê-la com os votos de Luiz Fux e Nunes Marques. O julgamento foi suspenso após pedido de vista de Gilmar Mendes.



