O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, ainda não adotou medidas concretas para tratar das mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, que envolvem o ministro Alexandre de Moraes. O caso completa uma semana nesta terça-feira, enquanto o prazo dado por Fachin para ouvir os envolvidos continua em curso.
O ministro André Mendonça, relator do caso do Banco Master no STF, retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal. O documento registra conversas nas quais Vorcaro, preso por fraudes bilionárias, pede ajuda para influenciar investigações e impedir operações policiais contra o banco.
As mensagens também citam Paulo Gonet, chefe da Procuradoria-Geral da República, como alguém que atuava “pessoalmente” para obter informações sigilosas favoráveis ao banqueiro. Andrei Rodrigues, chefe afastado da PF, aparece como possível responsável por barrar ou atrasar operações. Moraes é descrito por Vorcaro como conselheiro e amigo.
O ministro é mencionado ainda em provas sobre a edição de um contrato milionário firmado pelo banqueiro com o escritório de advocacia chefiado por sua esposa. O material inclui referências a encontros, benefícios com cartões de crédito com limite de 300.000 reais para os filhos de Moraes e uso de aeronaves privadas.
Possíveis mudanças de relatoria
Fachin passou esta terça-feira em conversas com diferentes interlocutores. Entre as possibilidades avaliadas estão retirar Mendonça da relatoria dos casos que envolvem o governo e pessoas influentes da República e transferir de Moraes a condução do inquérito das Fake News.
A eventual mudança ocorre em meio a outro episódio citado no caso: um relatório de inteligência apócrifo aponta indícios de monitoramento ilegal contra Mendonça e contra Jorge Messias, ministro da Advocacia-Geral da União.
As mensagens de Vorcaro e o relatório ampliam a crise envolvendo STF, PGR, PF e governo federal. O material divulgado pela Polícia Federal relaciona as acusações a supostas tentativas de proteção ao banqueiro, enquanto a relatoria dos processos permanece no centro das discussões de Fachin.



