As apostas em juros menores já movimentam a renda fixa. O mercado passou a projetar uma queda maior da taxa Selic, e os juros negociados para os próximos anos recuaram em quase todos os vencimentos.
A eleição de 2026 aparece entre os fatores que influenciam esse movimento. Para Lais Costa, analista da Empiricus Research, a perda de favoritismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aumenta o otimismo nos ativos financeiros. Parte dos agentes aposta que uma alternância de poder pode abrir espaço para reformas políticas e fiscais voltadas ao controle dos gastos e da dívida pública.
Eleição e juros futuros
Em relatório divulgado nesta terça-feira (8), Costa citou a pesquisa BTG Nexus. Pela primeira vez, Flávio Bolsonaro apareceu numericamente à frente de Lula em um eventual segundo turno, com 46% contra 45%.
O movimento foi acompanhado por uma alta de mais de 2% do Ibovespa, que se aproximou de 190 mil pontos, e por uma queda de mais de 1% na taxa de câmbio, cuja mínima foi de R$ 5,07. Os juros também recuaram: a taxa para janeiro de 2029 ficou em 13,75%, ante um patamar acima de 14% ao ano pouco mais de uma semana antes.
Além da disputa presidencial, indicadores econômicos reforçam a aposta em cortes da Selic. A produção industrial de julho cresceu menos que o esperado, enquanto a prévia da inflação de agosto registrou dados negativos pela primeira vez em um ano. A desaceleração da economia tende a reduzir a pressão sobre os preços e pode permitir novos cortes sem comprometer o controle da inflação.
A probabilidade de uma redução de 0,25 ponto percentual na reunião de novembro está em torno de 65%, segundo a Empiricus. Para setembro, a possibilidade chega a 95%.
Prefixado ou IPCA+
Se os juros continuarem caindo, os títulos prefixados tendem a ser os principais beneficiados. Quando as taxas projetadas diminuem, os papéis já emitidos ajustam seus preços para acompanhar a nova expectativa. Assim, um título que oferecia 14% ao ano pode passar a refletir taxas de 13,5% e depois 13%, gerando valorização para quem já investe nele.
A recomendação citada é concentrar a exposição em prefixados de prazo curto, de até dois anos, para reduzir os riscos de volatilidade e de alta da inflação.
Os títulos IPCA+ continuam relevantes porque combinam a possibilidade de valorização com a correção pela inflação. Eles também oferecem proteção caso o cenário eleitoral fique mais instável ou as expectativas de juros piorem. A escolha depende do grau de segurança do investidor em relação à queda consistente das taxas: o prefixado exige uma aposta mais direta nesse cenário, enquanto o IPCA+ preserva o poder de compra em situações mais incertas.



