O Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) deve analisar, na próxima semana, uma resolução que pode encaminhar novamente o caso nuclear do Irã ao Conselho de Segurança das Nações Unidas.
O texto é preparado por Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha. A proposta pede que a agência determine que o Irã cumpra suas obrigações de salvaguardas e autorize a retomada das verificações sobre o programa nuclear. Se aprovada, será a primeira vez em duas décadas que o órgão fará formalmente esse encaminhamento.
A medida ocorre depois que inspetores da AIEA não conseguiram recuperar o acesso a instalações importantes do país. A agência afirma que, sem entrar nas quatro instalações declaradas de enriquecimento, não consegue estabelecer onde está, qual é o volume nem qual é a composição do estoque iraniano de urânio enriquecido.
Estoque sob incerteza
Antes dos ataques de Israel e dos Estados Unidos contra instalações nucleares iranianas, em junho de 2025, o Irã tinha 440,9 quilos de urânio enriquecido a até 60%, conforme estimativa da AIEA. A agência calcula que o material poderia fornecer conteúdo para cerca de dez armas nucleares se fosse enriquecido posteriormente até o grau militar. A estimativa não indica que o país tenha essas armas ou tenha decidido produzi-las.
Reza Najafi, embaixador iraniano junto às organizações internacionais em Viena, classificou a pressão como “contraproducente”, “politicamente motivada” e “juridicamente falha”. A declaração responde a uma resolução anterior da AIEA.
Em junho de 2025, o Conselho de Governadores havia declarado que o Irã descumpria obrigações de não proliferação por não cooperar plenamente com uma investigação sobre vestígios de urânio em locais não declarados. No dia seguinte, Israel iniciou ataques contra instalações nucleares iranianas, depois acompanhados pelos Estados Unidos.
A aprovação da nova resolução é considerada provável, mas seus efeitos no Conselho de Segurança são incertos. Rússia e China, próximas de Teerã, têm poder de veto e podem bloquear medidas mais duras. A iniciativa também pode reduzir o espaço para negociações.



