O governo do Irã afirma que a diplomacia é o único caminho para resolver o conflito com os Estados Unidos e Israel. A declaração ocorre após Donald Trump dizer que rejeitou uma proposta iraniana para reabrir o Estreito de Ormuz e interromper os combates na região.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirma que a reabertura da rota marítima depende do cumprimento das condições apresentadas por Teerã. “Apenas uma solução negociada pode nos tirar desse impasse”, escreveu o chanceler nas redes sociais.
A proposta foi apresentada na semana passada durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, e encaminhada aos Estados Unidos por mediadores do Catar. O plano previa sete dias até a reabertura do estreito e uma pausa nos combates regionais. Para Araqchi, a aprovação permitiria o início de conversas mais amplas.
Trump disse no sábado (26) que recusou o plano. O presidente dos Estados Unidos afirmou que os iranianos buscam um acordo sobre a rota marítima por causa da situação financeira do país. Apesar da declaração pública, Araqchi diz que a rejeição ainda não foi comunicada oficialmente pelos mediadores. “Estamos aguardando que os mediadores nos transmitam as posições definitivas”, afirmou.
Impasse e programa nuclear
Os Estados Unidos mantêm um bloqueio econômico contra o Irã para pressionar Teerã a interromper ataques a embarcações no Estreito de Ormuz. Os incidentes reduziram o tráfego comercial na região, enquanto Washington afirma manter o controle da via navegável.
Autoridades norte-americanas citadas em informações sobre os bastidores do governo dizem que Trump desconfia de que Teerã cumpra suas exigências. Outros representantes dos Estados Unidos descrevem as conversas indiretas conduzidas pelos mediadores como positivas e construtivas.
O comandante-em-chefe do Exército do Irã, Amir Hatami, afirma que o conflito entrou em uma fase crítica e diz que o país não aceitará ser impedido de comercializar enquanto forças estrangeiras usam rotas marítimas estratégicas. O impasse em Ormuz dura sete meses e afeta o fluxo internacional de petróleo. O Irã também conversa com a Arábia Saudita sobre a segurança no canal.
As negociações podem incluir o programa nuclear iraniano. Uma autoridade sênior do governo do Irã afirma que o país não abrirá mão do enriquecimento de urânio nem enviará seu estoque altamente enriquecido para fora do território.
Em entrevista à CBS, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, diz que o país está disposto a dialogar sobre o programa nuclear e outros temas, mas rejeita ameaças. Ele afirma que o Irã não pretende iniciar uma guerra, embora vá se defender de pressões, ameaças e ataques, e lembra que o país concordou que não deve desenvolver armas nucleares.
Ataque no Iêmen
A guerra começou em 28 de fevereiro, com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Desde então, o conflito alterna pausas e novos bombardeios, com milhares de mortos e impactos sobre as forças convencionais iranianas e a economia do país.
No domingo (27), o Ministério da Saúde do Iêmen, controlado pelos Houthi, informou que um ataque aéreo contra lojas em um mercado de Mawiya, na província de Taiz, matou sete pessoas e deixou 40 feridos, entre eles crianças. Mais tarde, o governo iemenita reconhecido internacionalmente afirmou que suas forças atacaram um acampamento militar e veículos dos Houthi no mesmo local.




