SANTIAGO — A polícia registra 24 detenções durante a marcha que relembra o golpe de Estado que derrubou Salvador Allende no Chile. O balanço preliminar indica que 60% dos casos estão relacionados a ordens judiciais vigentes e 40% correspondem a flagrantes.
Os incidentes ocorrem nas proximidades do Cemitério General, onde cerca de 50 pessoas encapuzadas montam barricadas e lançam bombas molotov, pedras e fogos de artifício contra policiais. As ações acontecem paralelamente às homenagens e não impedem as cerimônias no memorial.
A manifestação é realizada neste domingo (06/09), cinco dias antes da data que marca os 53 anos do golpe, ocorrido em 11 de setembro de 1973. Naquele dia, as Forças Armadas bombardeiam o Palácio de La Moneda, derrubam o governo e Allende morre durante o ataque. Depois, o general Augusto Pinochet assume a liderança da junta militar que governa o Chile até 1990.
Memória e impunidade
A caminhada reúne organizações de direitos humanos, sindicatos, grupos estudantis, familiares de vítimas e integrantes da Mesa Nacional de Direitos Humanos. Convocada pelo Partido Comunista, pela Frente Amplio e por entidades de direitos humanos, a marcha termina no Memorial do Detido Desaparecido e do Executado Político, com participantes levando cravos e rosas vermelhas.
Entre as reivindicações está a rejeição a indultos ou benefícios penitenciários para condenados por crimes contra os direitos humanos. O senador comunista Daniel Núñez resume a posição dos organizadores: “não aos indultos, não à impunidade”. A preocupação inclui crimes da ditadura e violações registradas durante o estallido social de 2019.
O ato também critica políticas do governo do presidente José Kast, em especial possíveis cortes no financiamento de instituições voltadas à preservação de lugares de memória e à reparação. Organizações afirmam que mais de 1.500 pessoas ainda não tiveram o paradeiro esclarecido.
A mobilização homenageia mais de 3.200 vítimas fatais e mais de 40 mil pessoas atingidas por violações de direitos humanos durante a ditadura. A ex-ministra e ex-candidata presidencial Jeannette Jara participa da caminhada e defende que a memória histórica e os direitos humanos sejam tratados como temas de toda a sociedade chilena.




