NOVA YORK — Rick Rescorla, ex-coronel responsável pela segurança da Morgan Stanley, retirou 2.687 pessoas da Torre Sul do World Trade Center antes do desabamento em 11 de setembro de 2001. Ele morreu durante a operação, sem conseguir deixar o prédio a tempo.
A Morgan Stanley ocupava 22 andares da torre. Veterano dos Exércitos britânico e norte-americano e da Guerra do Vietnã, Rescorla alertava havia anos para os riscos de um ataque às Torres Gêmeas. Depois da explosão de um caminhão-bomba no subsolo de uma das torres, em 1993, ele passou a defender a saída da empresa do complexo e chegou a considerar a possibilidade de um ataque com avião.
Como a companhia decidiu permanecer no local, o ex-militar criou um plano de emergência e promovia treinamentos de evacuação pelo menos duas vezes por ano.
Quando o primeiro avião atingiu a Torre Norte, às 8h46 de 11 de setembro de 2001, Rescorla contrariou a orientação da administração do World Trade Center para que os trabalhadores da Torre Sul permanecessem no prédio. Ele determinou a retirada imediata dos funcionários. O Exército dos Estados Unidos atribui a essa ação o salvamento de 2.687 pessoas.
Memória e legado
Os ataques deixaram cerca de 3 mil mortos e centenas de feridos nos Estados Unidos. Mais de 9. 400 pessoas morreram posteriormente em consequência de doenças relacionadas à exposição a substâncias tóxicas, segundo o programa federal de acompanhamento médico.
Beth Hillman, presidente do Museu e Memorial do 11 de Setembro, afirma que cerca de 100 milhões de americanos ainda não haviam nascido ou eram jovens demais para lembrar dos ataques. O memorial recebe 2,4 milhões de visitantes anualmente e passou a priorizar ações de educação.
Voluntários compartilham relatos pessoais com os visitantes mais jovens. Logan Miller, de 32 anos, perdeu o avô e um tio no atentado. O memorial reúne dois grandes espelhos d’água construídos sobre as fundações das torres.
Uma pesquisa indica que 60% dos americanos ainda pensam periodicamente nos ataques. Cerca de 60% avaliam que a resposta do governo dos Estados Unidos foi, ao menos em parte, eficiente para prevenir novos atentados no país. Ao mesmo tempo, 65% se opõem à autorização para que agências de inteligência monitorem comunicações eletrônicas de cidadãos comuns sem mandado judicial. A lei que permitia essa prática foi promulgada em 2008 e expirou há dois meses.



