O partido Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema direita, vence a eleição regional na Saxônia-Anhalt, no leste da Alemanha, e supera com folga os rivais. O resultado aumenta a pressão sobre governos de esquerda e de centro em meio a uma sequência de disputas eleitorais na Europa.
A legenda sinaliza disposição para negociar uma aliança e formar o primeiro governo regional ultradireitista alemão desde o fim do Nazismo. Os resultados quase definitivos, porém, indicam que a AfD fica ligeiramente abaixo da maioria absoluta. Todos os partidos, com exceção do BSW, recusam-se a cooperar com a sigla, o que abre negociações complexas sobre a composição do governo.
A vitória ocorre em um país que mantém, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, uma tradição de isolamento de grupos ligados à extrema direita. Na última década, a AfD se consolida como uma das principais forças políticas alemãs com um discurso populista e anti-imigração.
O desempenho também representa um golpe para o chanceler Friedrich Merz. A AfD obtém mais do que o dobro dos votos do partido de centro-direita de Merz, em um cenário marcado pela alta do custo de vida e pelo desemprego.
Repercussão na Europa
A Alemanha é uma das principais forças econômicas e políticas da União Europeia. Por isso, uma possível fragilização política do país provoca preocupação em outras capitais do continente.
Na França, o presidente Emmanuel Macron deixa o cargo em maio de 2027, enquanto Marine Le Pen aparece à frente nas pesquisas para o primeiro turno. Na Espanha, o partido ultradireitista Vox pode ganhar espaço em uma futura coalizão, enquanto o governo socialista enfrenta acusações de corrupção e problemas ligados à imigração. No Reino Unido, o avanço do Reform UK também abala o governo trabalhista, embora escândalos financeiros envolvendo a legenda tenham interrompido parte desse crescimento.
O ministro das Finanças da França, Roland Lescure, classifica o resultado como “um sinal muito, muito preocupante” e afirma que a Europa enfrenta uma onda populista. O ministro de Assuntos Europeus francês, Benjamin Haddad, diz que a vitória da extrema direita marca “um momento muito grave para a Europa”.
O ministro das Relações Exteriores da Polônia, Radosław Sikorski, também chama o resultado de “um sinal muito preocupante”. O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, afirma que apenas “idiotas ou traidores” podem comemorar o triunfo da AfD. Na Itália, o chanceler Antonio Tajani define o resultado como “uma notícia terrível” por envolver uma força política antagônica aos valores liberais e ocidentais.



