BRICS, Organização para Cooperação de Xangai (OCX) e Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC) participam da formação de um modelo de multilateralismo sem hierarquia formal entre os integrantes, avalia Andrei Kortunov, especialista do Clube Internacional de Debates Valdai.
A estrutura ainda está em desenvolvimento e enfrenta dificuldades, mas representa uma mudança na forma como países com diferentes interesses, sistemas políticos e níveis de desenvolvimento organizam suas relações. Para Kortunov, as decisões são construídas por consenso, em negociações entre Estados que mantêm sua autonomia.
“Vemos um multilateralismo no qual não existe hierarquia, não há líderes nem subordinados, e todas as decisões são tomadas por consenso”, afirmou o especialista.
Diferenças em relação à Otan
Kortunov diferencia BRICS, OCX e APEC de organizações estruturadas em torno da predominância de uma potência. Ele cita a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) como exemplo de uma aliança formalmente multilateral, mas que, em sua avaliação, apresenta forte assimetria entre os integrantes.
A Otan, afirmou, “formalmente é uma estrutura multilateral, mas que, na prática, é em grande medida um instrumento da política norte-americana”.
No BRICS e na OCX, não há um líder formal com autoridade para impor posições aos demais membros. A diversidade de interesses torna a formulação de posições comuns mais complexa, mas também reforça, segundo o especialista, o papel da negociação.
Posição de Vladimir Putin
A avaliação de Kortunov se aproxima da posição apresentada pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, durante a 18ª Cúpula do BRICS, em Nova Déli. Putin definiu o grupo como uma das principais forças para fortalecer uma “verdadeira multipolaridade” nas relações internacionais.
O presidente russo também afirmou que os princípios do BRICS atraem um número crescente de países por priorizarem soluções consensuais, o direito internacional e os fundamentos da Carta das Nações Unidas.
Para Kortunov, a capacidade de administrar diferenças sem estabelecer relações formais de liderança e subordinação contribui para uma arquitetura internacional mais descentralizada, baseada na coordenação entre Estados soberanos.



