A ministra Cármen Lúcia afirmou estar envergonhada com a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) e pediu desculpas ao povo brasileiro durante o julgamento que envolve Alexandre de Moraes. Ela disse que o tribunal deveria oferecer tranquilidade ao país, mas acabou contribuindo para a desestabilização às vésperas das eleições.
“Me sinto envergonhada, no momento em que o Brasil está a vinte dias da eleição, está preocupado com o STF”, declarou Cármen Lúcia. A ministra também acompanhou o voto do presidente do Supremo, Edson Fachin, relator do caso.
Cármen Lúcia afirmou que, caso tenha sido omissa como integrante da Corte, deveria ter atuado mais para evitar a situação. Ela pediu desculpas a Fachin, aos demais ministros e à população. “Peço também desculpas ao povo brasileiro que deve ter esperado de mim uma postura diferente”, disse.
A ministra criticou a exposição dos conflitos internos do tribunal e classificou como “espetacularização” a forma como os casos e a sessão foram apresentados. Na avaliação dela, os embates ultrapassaram os limites do Supremo e passaram a produzir efeitos para o país.
O julgamento trata da Petição 16. 662, que reúne elementos produzidos pela Polícia Federal a partir do celular de Daniel Vorcaro, do Banco Master. O material inclui mensagens atribuídas ao empresário sobre contatos com integrantes do STF e envolve a análise sobre o eventual prosseguimento de uma investigação relacionada a um dos ministros da Corte.
A sessão também foi marcada por discussões sobre impedimentos, suspeições e a relatoria assumida por Fachin. Alexandre de Moraes e André Mendonça tiveram um confronto durante os debates, enquanto Flávio Dino e Gilmar Mendes divergiram sobre a condução do processo.
Cármen Lúcia destacou que as divergências ocorrem às vésperas das eleições presidenciais. Para ela, a atenção da população deveria estar voltada principalmente a esse período, e não aos conflitos no STF.



