A Índia estrutura uma política de inteligência artificial voltada ao princípio de acesso amplo à tecnologia. A estratégia busca reduzir desigualdades e aplicar ferramentas digitais em desafios sociais e econômicos, dentro da meta de desenvolvimento nacional até 2047, quando o país completa um século de independência.
A avaliação é de Anirban Sarma, diretor da Digital Societies Initiative do Observer Research Foundation (ORF), e de Vanita Sharma, assessora de Iniciativas Estratégicas da Reliance Foundation. Os dois especialistas afirmam que o plano combina inovação, infraestrutura compartilhada, formação profissional e soluções voltadas às necessidades das comunidades.
O ecossistema indiano de IA se expande com a adoção de sistemas por empresas e a atração de investimentos por startups. As estimativas apresentadas pelos especialistas apontam que a tecnologia pode adicionar cerca de US$ 1,7 trilhão à economia da Índia até 2035.
Infraestrutura e aplicações sociais
A missão nacional de inteligência artificial oferece capacidade computacional subsidiada e cria repositórios compartilhados de dados e modelos. A medida pretende facilitar a participação de startups, universidades, pesquisadores, empresas e instituições públicas, sem deixar o desenvolvimento dependente apenas de grandes corporações.
Os projetos priorizam problemas concretos em áreas como agricultura, saúde, educação, gestão de desastres, Justiça e inclusão social. As soluções também podem ser adaptadas a outros países em desenvolvimento que enfrentam desigualdade de renda, diferenças regionais, conectividade limitada e a necessidade de oferecer serviços públicos em grande escala.
A diversidade linguística é outro eixo da política. Modelos treinados com dados locais, ferramentas de tradução e interfaces adaptadas aos idiomas indianos buscam ampliar o acesso de pessoas que não dominam o inglês. Programas de formação também preparam cidadãos para usar e desenvolver ferramentas de IA.
Acesso e supervisão
Os especialistas defendem que os sistemas sejam construídos com participação das comunidades e integrados a serviços e instituições já conhecidos pelos usuários. A supervisão humana deve ser mantida em decisões sensíveis, como cuidados veterinários e definição de beneficiários de políticas sociais.
Para alcançar pessoas com internet instável ou pouco acesso a computadores, iniciativas exploram ferramentas offline, aplicativos para telefones celulares e formas de interação que não dependam de computadores pessoais. A proposta é adaptar a tecnologia às condições dos usuários.
A expansão da IA também levanta questões sobre o consumo de energia e água por centros de dados. O país precisa criar mecanismos de segurança, equidade, preços acessíveis e retorno para comunidades cujos dados, idiomas e conhecimentos são usados no treinamento dos modelos.
Parcerias entre Estado, empresas e organizações da sociedade civil são apontadas como uma forma de combinar infraestrutura pública, conhecimento privado e experiência local. Para a Índia, o sucesso da inteligência artificial também deve ser medido pela melhoria de serviços públicos, pela ampliação de oportunidades e pelo alcance a populações historicamente excluídas das transformações tecnológicas.



