O ministro André Mendonça tornou públicas milhares de páginas da investigação sobre o Banco Master, mas manteve sob sigilo as diligências ainda em andamento. Relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), ele liberou o acesso ao acervo antes da sessão plenária que discutirá se Alexandre de Moraes deve ser investigado por suas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Os ministros receberam HDs com os documentos para se prepararem para o julgamento. Permanecem confidenciais, entre outras peças, informações sobre suspeitas envolvendo o ex-líder do governo Jaques Wagner.
A divulgação ocorre antes da sessão da próxima terça-feira e pode reduzir os argumentos para um pedido de vista, que interromperia o julgamento. Dentro do tribunal, há a avaliação de que uma eventual paralisação permitiria decidir o futuro de Moraes apenas depois das eleições presidenciais de 4 de outubro.
Pressão política
O caso também alcançou o governo. O chefe da Secretaria de Comunicação, Sidônio Palmeira, procurou integrantes do STF para apresentar pesquisas internas segundo as quais a imagem negativa dos ministros, especialmente a de Moraes, afetava o desempenho de Luiz Inácio Lula da Silva na corrida presidencial.
De acordo com um magistrado, o pedido por medidas para reduzir o desgaste institucional foi interpretado como uma pressão para que Moraes explicasse suas relações com o Banco Master. O ministro chegou a convocar um pronunciamento na quinta-feira, 10, mas cancelou a manifestação depois.
Lula defendeu, em uma rede social, a divulgação dos dados. “É urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade”, escreveu.
Com a abertura dos documentos, também veio a informação de que o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro é investigado pela Polícia Federal por lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e organização criminosa na arrecadação de recursos para o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.
Mensagens de Vorcaro
Mensagens recuperadas pelos investigadores mostram que Daniel Vorcaro tratava Moraes como presença frequente em encontros privados e consultor sobre investigações de interesse. As conversas também indicam pedidos para conter ações de policiais e procuradores e mencionam pagamentos superiores a 129 milhões de reais ao escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
“É o contrato mais importante que temos”, escreveu Vorcaro a um funcionário. Como o celular de Moraes não foi apreendido, as investigações não permitiram identificar o que o ministro respondeu a cada uma das mensagens.



