A sessão do Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre as investigações envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça é interrompida após uma sequência de acusações entre os ministros. O julgamento deve ser retomado às 14h.
Moraes e Mendonça não se cumprimentam nem trocam olhares, embora estejam sentados lado a lado. Moraes afirma que apresentará testemunhas para sustentar a versão de que teria exigido um anexo específico sobre as relações de Mendonça com o Banco Master. Entre as testemunhas citadas está um advogado que integrou a defesa de Daniel Vorcaro.
Moraes também acusa Mendonça de estar a serviço de um grupo político que tentou dar um golpe no país. O relator reage aos gritos de “mentira” e afirma que existe uma “Polícia Federal paralela”, em referência à suspeita de ter sido monitorado clandestinamente pela corporação.
Envelope e troca de acusações
Mendonça deixa o plenário às 12h36 e retorna minutos depois. Nesse intervalo, o decano Gilmar Mendes o acusa de ter usado métodos mafiosos para fechar o cerco contra Moraes.
Até então, os ministros discutiam uma questão de ordem: se as diferentes investigações deveriam ser reunidas e submetidas a um novo relator sorteado. A discussão deixava em segundo plano as explicações cobradas de Moraes sobre as 52 mensagens que a Polícia Federal afirma ter recebido de Vorcaro.
Ao voltar ao assento, Mendonça pega o microfone e balança um envelope pardo. Ele promete apresentar revelações na segunda parte do julgamento: “Depois vou dizer como recebi esse material”. Gilmar Mendes interrompe a tentativa de manifestação e afirma que o colega ainda não tem a palavra.
A discussão continua com novas acusações. Mendonça responde: “Vossa Excelência não está falando com qualquer um”. Mendes rebate dizendo que, em nome de Deus, já se fez muita patifaria.
Durante a troca, Mendonça treme e tenta disfarçar o movimento das mãos ao tocar o microfone. A sessão é então interrompida, com previsão de retomada às 14h.



