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Moraes e Mendonça: divergências no STF chegam ao caso Banco Master

Conflitos iniciados após os ataques de 8 de Janeiro avançam para acusações formais e decisões sobre a Polícia Federal.

Moraes e Mendonça: divergências no STF chegam ao caso Banco Master
Foto: Mateus Bonomi/Folhapress

A relação entre Alexandre de Moraes e André Mendonça passa de divergências jurídicas no Supremo Tribunal Federal (STF) a um confronto institucional envolvendo as investigações sobre o Banco Master. Em setembro de 2026, os dois ministros trocam acusações formais, tomam decisões conflitantes e têm a condução dos procedimentos reorganizada pelo presidente da Corte, Edson Fachin.

A origem do desgaste está nos julgamentos relacionados aos ataques de 8 de Janeiro de 2023. Três dias depois da invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, Mendonça divergiu da maioria em uma análise sobre as prisões e a responsabilização dos envolvidos. O resultado foi de 9 votos a 2, com Nunes Marques acompanhando a divergência.

A posição de Mendonça não significava rejeição a todas as acusações. No inquérito sobre os executores materiais, ele votou pelo recebimento das denúncias. As diferenças se concentravam sobretudo na competência do STF e, em determinados grupos, na existência de elementos para responsabilização.

Durante a análise de centenas de denúncias, Moraes, relator dos inquéritos sobre autores intelectuais, instigadores e executores, formou maiorias sucessivas. Mendonça manteve posições mais restritivas em parte dos casos. No julgamento de Aécio Lúcio, Moraes votou pela condenação pelos cinco crimes apontados pela Procuradoria-Geral da República e propôs pena de 17 anos. Mendonça também votou pela condenação, mas defendeu uma interpretação mais restritiva sobre os crimes contra o Estado Democrático de Direito e uma pena menor. O plenário acompanhou Moraes.

Da divergência ao conflito institucional

Em setembro de 2023, uma discussão entre os ministros durante os julgamentos dos envolvidos nos ataques tornou públicas as diferenças. Apesar disso, os dois continuaram trabalhando juntos no colegiado, com divergências e convergências em outros temas. Entre 2023 e 2025, os debates envolveram cautelares, competência do STF, responsabilização dos réus e o eventual impedimento de Moraes na relatoria da trama golpista.

A relação muda em 2026, quando Mendonça assume processos ligados à investigação do Banco Master e de Daniel Vorcaro. Em agosto, ele determina que a Polícia Federal apresente, em 72 horas, informações atualizadas sobre a rede de influência atribuída ao banqueiro. Relatórios da corporação passam a fazer referências a Moraes.

Mendonça afirma ter sido alvo de monitoramento ilegal. Em 8 de setembro, afasta preventivamente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada. Os documentos divulgados até o momento não comprovam espionagem, interceptação ou vigilância clandestina contra o ministro.

Fachin assume a relatoria da Petição 16.662, que reúne a retirada do sigilo determinada por Mendonça, manifestações posteriores e a inclusão do caso na pauta do plenário. Nesta terça-feira (15), os ministros analisam o processo para definir os próximos passos da apuração sobre o material que envolve Moraes e Daniel Vorcaro. Também permanecem em debate a validade do procedimento conduzido por Mendonça e as acusações feitas pelos dois ministros.

Texto produzido pela Redação Fato em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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