Não há um número fixo de votos para eleger um presidente da República no primeiro turno. O candidato precisa obter a maioria absoluta dos votos válidos — na prática, 50% mais um voto. A quantidade necessária varia conforme o total de votos destinados aos concorrentes.
A regra está no artigo 77 da Constituição Federal. Se nenhum candidato alcançar essa maioria, os dois mais votados disputam o segundo turno. Nessa nova votação, vence quem obtiver a maioria dos votos válidos entre os dois concorrentes.
Como funciona a contagem
Votos válidos são aqueles atribuídos a um dos candidatos. Votos brancos e nulos não entram no cálculo da maioria absoluta. Por isso, o percentual não é calculado sobre o total de eleitores aptos nem sobre todos os registros das urnas.
Por exemplo, se 100 milhões de eleitores comparecerem e houver 10 milhões de votos brancos ou nulos, serão considerados 90 milhões de votos válidos. Nesse caso, o candidato precisará de mais de 45 milhões de votos para vencer no primeiro turno.
A conta é feita dividindo o número de votos válidos por 2 e acrescentando 1 voto. Assim, quanto maior for a quantidade de votos válidos, maior será o total necessário para uma vitória direta.
Histórico das eleições presidenciais
Desde a redemocratização, a eleição para presidente foi decidida no primeiro turno apenas duas vezes. Nas duas ocasiões, o vencedor foi Fernando Henrique Cardoso: em 1994, com 54,2% dos votos válidos, e em 1998, quando conquistou a reeleição com cerca de 53%.
Depois disso, todas as eleições presidenciais tiveram segundo turno. Em 2022, Luiz Inácio Lula da Silva terminou a primeira votação com 48,43% dos votos válidos, enquanto Jair Bolsonaro obteve cerca de 43%.
A Constituição Federal e o TSE estabelecem, portanto, que a vitória no primeiro turno depende da metade dos votos válidos, acrescida de um voto. Se esse patamar não for atingido, a disputa prossegue entre os dois candidatos mais votados.



