BRASÍLIA — O diretor-executivo da Polícia Federal, William Marcel Murad, reafirmou nesta terça-feira (8) a confiança da corporação no diretor-geral, Andrei Rodrigues. A declaração ocorre após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar o afastamento cautelar de Andrei da direção da PF.
Murad é o número 2 na hierarquia da Polícia Federal e falou durante a abertura do LXIII Curso de Formação Profissional para agente da corporação. A cerimônia foi realizada no Teatro de Arena da Academia Nacional de Polícia, em Brasília, diante de 763 novos alunos.
Andrei Rodrigues era esperado para abrir o curso, mas não compareceu após os desdobramentos da decisão de Mendonça. No discurso, Murad afirmou que a instituição manterá suas atividades diante das pressões externas. “Não nos deixaremos abalar por ataques, venham de onde vier”, declarou.
O diretor-executivo também defendeu a atuação dos investigadores e disse que as apurações são conduzidas dentro dos limites legais, sem motivação político-partidária. Segundo Murad, o trabalho da PF é técnico, imparcial e livre de viés político.
Decisão do STF
O afastamento cautelar determinado por Mendonça busca apurar as circunstâncias da produção de relatórios apócrifos de inteligência que teriam monitorado autoridades. Entre os citados está o próprio ministro relator e o advogado-geral da União, Jorge Messias.
A decisão já formou maioria de 3 a 0 na Segunda Turma do STF. O julgamento virtual foi temporariamente suspenso após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.
A ausência de Andrei na cerimônia ocorreu em meio à crise na cúpula da Polícia Federal. A manifestação de Murad reforçou o apoio institucional à direção da corporação e à legitimidade das investigações conduzidas pela PF.



