A Anthropic identifica cinco casos em que pesquisadores usaram o Claude em atividades de pesquisa biológica que poderiam contribuir para o desenvolvimento de armas biológicas. A empresa afirma não ter evidências de que os envolvidos pretendiam fabricar armas ou causar danos e não divulga os países, as instituições nem os agentes biológicos relacionados aos episódios.
Os casos integram um relatório de 154 páginas publicado nesta quinta-feira (10), com registros de uso indevido do Claude entre dezembro de 2025 e agosto de 2026. O documento também reúne operações de espionagem, propaganda, vigilância, golpes e desenvolvimento de armas convencionais com auxílio da inteligência artificial.
Em um dos episódios, cientistas acessaram o modelo por uma plataforma intermediária que driblou bloqueios regionais. O Claude foi usado em um projeto financiado pelo Estado sobre pesquisa de ganho de função com o vírus chikungunya.
Outro caso envolve um pesquisador de uma região não atendida oficialmente pela Anthropic. Durante semanas, ele usou o modelo para planejar experimentos relacionados à adaptação do vírus da gripe aviária para mamíferos. A empresa afirma que os mecanismos de segurança limitaram o trabalho aos modelos considerados menos capazes.
Pesquisadores também usaram o Claude para preparar relatórios científicos e trabalhar com compostos que poderiam ter aplicações benéficas ou perigosas. Em alguns episódios, informações sobre toxinas e proteínas virais foram mantidas deliberadamente em baixa resolução para ocultar a finalidade das consultas.
A Anthropic afirma que baniu as contas relacionadas aos casos e aproveitou os dados para reforçar a segurança dos modelos. A companhia diz ainda ter adotado proteções mais rígidas em modelos recentes, especialmente para consultas sobre pesquisas biológicas de uso dual.
O relatório identifica países em outros tipos de uso indevido. Na área de armas convencionais, são seis casos: três na China, dois na Rússia e um no Iêmen. Os envolvidos usaram o Claude em atividades relacionadas a armas, incluindo desenvolvimento de software e coleta de informações para programas militares.
A empresa também aponta operações de propaganda ligadas a atores da Rússia, Irã, Turquia e países do Golfo, Sul da Ásia, África e Europa. Uma campanha produziu pelo menos 8.913 artigos em cerca de 20 idiomas e direcionou conteúdo a públicos dos Estados Unidos, Brasil, França e República Democrática do Congo.
Na espionagem digital, a Anthropic atribui uma campanha contra autoridades, militares e diplomatas ucranianos a um grupo compatível com o Midnight Blizzard. O governo dos Estados Unidos já associou o grupo ao serviço de inteligência estrangeira da Rússia. A companhia defende o uso de programas com usuários confiáveis para sistemas de IA avançada quando houver risco elevado de uso indevido.


