A Anthropic criou um laboratório físico de biologia no Vale do Silício para ampliar o uso de inteligência artificial em pesquisas realizadas fora do ambiente digital. A empresa pretende utilizar o modelo Claude para orientar robôs na execução de experimentos, mantendo pesquisadores humanos envolvidos no processo por razões de segurança.
A companhia confirmou a existência da instalação, mas afirmou que o espaço não foi criado especificamente para descoberta de medicamentos. A proposta é desenvolver pesquisas biológicas mais amplas e testar novas aplicações da inteligência artificial na ciência.
Pesquisa com doenças raras
Entre as possibilidades avaliadas está o uso de IA para acelerar o desenvolvimento de moléculas biologicamente complexas. O Claude poderá auxiliar trabalhos com anticorpos biespecíficos, capazes de se ligar simultaneamente a dois alvos diferentes e investigados para aplicações terapêuticas.
A Anthropic também considera aplicações em doenças raras ou negligenciadas e em condições para as quais existem poucas ou nenhuma alternativa terapêutica. A expectativa é que sistemas avançados reduzam o tempo de algumas etapas da pesquisa e permitam explorar caminhos mais lentos pelos métodos tradicionais.
A expansão inclui a aquisição da startup Coefficient Bio por aproximadamente US$ 400 milhões e o aumento da equipe de pesquisadores especializados em biologia.
Limites e segurança
A empresa fornece ferramentas e serviços de inteligência artificial para Roche, Bristol Myers Squibb e Novo Nordisk. Para evitar competir diretamente com esses clientes, a Anthropic não pretende realizar ensaios clínicos de medicamentos. A estratégia é atuar como fornecedora de tecnologia e infraestrutura, enquanto as empresas farmacêuticas ficam responsáveis pelo desenvolvimento clínico e pela comercialização.
A Anthropic reconhece que sistemas avançados de IA aplicados a conhecimentos biológicos sensíveis podem apresentar riscos, inclusive pela possibilidade de uso indevido no desenvolvimento de armas biológicas. A supervisão humana dos experimentos com robôs integra as medidas de segurança adotadas pela companhia.
A expansão ocorre enquanto a empresa se prepara para uma possível abertura de capital. A avaliação considerada para o IPO pode chegar a US$ 2 trilhões, o que permitiria captar recursos para novos modelos de IA e para áreas científicas intensivas em capital.




