Rene Haas, CEO da Arm Holdings, afirma que a inteligência artificial pode ajudar a encontrar uma cura para o câncer que não seria descoberta por humanos durante suas vidas. Em entrevista à BBC, ele relaciona esse potencial ao avanço dos computadores e à possibilidade de treinar modelos com volumes maiores de dados.
A modelagem de uma célula, a reprodução digital de um ser humano e a compreensão de como um marcador de DNA é afetado pelo câncer ainda são tarefas complexas para pessoas e computadores, segundo Haas. Ele avalia que a incorporação de novos modelos e a evolução das máquinas podem mudar esse cenário.
Chris Bakal, professor do Institute of Cancer Research, em Londres, e CEO da Sentinal4D, afirma que a discussão passou a se concentrar nos dados fornecidos aos sistemas. Ele diz que laboratórios treinam ferramentas de IA com informações obtidas de amostras de pacientes, o que pode reduzir o tempo de desenvolvimento de tratamentos.
Chips restringem expansão
Haas também afirma que a falta de chips de diferentes tipos dificulta a construção de data centers. Ele menciona projetos na França e nos Estados Unidos e planos para instalações no espaço, que exigiriam maior capacidade de fabricação de componentes.
A Arm desenvolve arquiteturas para processadores usados em celulares, carros, smartwatches e outros dispositivos e passou a vender seus próprios chips. De acordo com Haas, a demanda pelo Arm AGI chip, desenvolvido a pedido da Meta, já supera US$ 2 bilhões desde o lançamento, em março.
O executivo prevê a presença ampla de robôs humanoides em diferentes setores nos próximos cinco anos e cita aplicações em manufatura, limpeza, segurança, construção de pontes e reparos ao longo da próxima década. Ele considera exageradas as estimativas de substituição completa de grandes quantidades de empregos, mas prevê mudanças para os trabalhadores e novas oportunidades.
Haas também afirma que não vê necessidade de fabricar semicondutores no Reino Unido. A produção avançada está concentrada em torno da TSMC, enquanto o governo britânico conversa com o setor sobre levar partes da cadeia de produção ao país.
Haas deixou o conselho da AstraZeneca em abril e ocupa uma função na SoftBank, principal acionista da Arm. Após a transferência da Arm para investidores japoneses em 2016 e a abertura parcial de capital na Nasdaq, em Nova York, ele afirma que metade dos funcionários permanece no Reino Unido. A empresa é, segundo ele, a maior empregadora de Cambridge.



