O aumento no preço das memórias eleva os custos de fabricação de smartphones e pode encarecer o próximo iPhone. A pressão ocorre porque a oferta não acompanha a demanda, enquanto novas fábricas ainda levam anos para ampliar a produção.
A inteligência artificial intensifica o desequilíbrio, mas o problema começou antes. Em 2021, a Micron concluiu que os avanços tecnológicos usados para colocar mais chips em cada wafer não seriam suficientes para atender à demanda de longo prazo. A empresa passou a precisar de mais wafers e novas instalações.
Memória para IA disputa capacidade
Após o forte consumo de computadores, tablets e celulares durante a pandemia, as vendas recuaram, os estoques aumentaram e os fabricantes reduziram os planos de expansão. Quando o mercado se recuperou, os data centers de inteligência artificial elevaram a demanda em uma escala maior.
Esses centros usam HBM, uma forma especializada de DRAM que transfere grandes volumes de dados rapidamente. O componente é mais complexo de fabricar e ocupa mais capacidade industrial. A Micron estima que a produção de determinada quantidade de HBM exige aproximadamente três vezes mais wafers do que a mesma quantidade de DRAM convencional.
A Counterpoint informa que 16 GB de DRAM para smartphones custavam cerca de US$ 42 (R$ 216) no segundo trimestre de 2025. Um ano depois, o preço chegou a aproximadamente US$ 181 (R$ 929). A DRAM para smartphones subiu cerca de 56% no primeiro trimestre de 2026 e aproximadamente 83% no segundo trimestre.
Samsung, SK Hynix e Micron concentram cerca de 90% do mercado. Para David Naranjo, diretor associado da Counterpoint, não é correto dizer simplesmente que os data centers estão consumindo RAM, porque RAM e HBM não são a mesma coisa.
Oferta só deve alcançar a demanda depois
A nova unidade da Micron em Nova York só deve gerar produção relevante em 2030. A fábrica de Idaho deve começar a produzir wafers em meados de 2027. Mesmo com investimentos superiores a US$ 25 bilhões (R$ 128,25 bilhões) neste ano, a empresa não consegue indicar quando a oferta alcançará a demanda.
A Counterpoint prevê equilíbrio no fim de 2027 ou início de 2028, em um cenário otimista. A IDC espera que a escassez avance para 2028.
A Apple tem maior capacidade de absorver custos, por causa da escala e do posicionamento premium. Ainda assim, a empresa já aumentou os preços de Macs e iPads. Uma estimativa baseada nos custos dos componentes indica que o iPhone 18 Pro pode começar em US$ 1.299 (R$ 6.664), US$ 200 (R$ 1.026) acima do preço inicial do iPhone 17 Pro.
Tim Cook classificou a alta da memória como uma “inundação que ocorre uma vez em 100 anos”. Para Naranjo, “Não haverá um final feliz tão cedo”.



