As principais operadoras brasileiras ampliam o bloqueio de chamadas diretamente na rede, antes que o celular toque. A Claro lançou o Claro Chamada Segura, a Vivo já opera o Vivo Anti Spam e a TIM prepara uma solução própria.
Os sistemas identificam chamadas massivas, abusivas ou fraudulentas. No caso da Claro, números que originam um volume elevado de ligações podem ser bloqueados na rede. O recurso é gratuito, ativado automaticamente e pode ser desativado pelo cliente.
A Vivo foi a primeira entre as grandes operadoras a adotar esse tipo de mecanismo. O Vivo Anti Spam reconhece chamadas geradas automaticamente e impede que determinados contatos cheguem ao aparelho.
A TIM questionou o funcionamento da solução da Vivo e levou o caso à Anatel. Em agosto, a agência considerou o mecanismo regular e recomendou avaliar critérios para a filtragem de tráfego massivo em todo o setor.
A Anatel definiu princípios como proporcionalidade, transparência, auditabilidade, reversibilidade e tratamento isonômico. A entrada da Claro e a futura solução da TIM ampliam a presença desse tipo de bloqueio entre as principais operadoras brasileiras.
Pedido do setor de telemarketing
A Associação Brasileira de Telesserviços (ABT) pediu à Anatel que reavalie as regras e abra uma consulta pública ou outra forma de participação das empresas do setor. A entidade teme que critérios abrangentes ou discricionários bloqueiem chamadas legítimas.
Entre os pontos questionados está o uso da atividade econômica ou do CNAE de quem origina a ligação como critério de bloqueio. Para a ABT, essa prática pode atingir setores inteiros que fazem contatos autorizados com consumidores.
A associação também defende o padrão Stir/Shaken, voltado à verificação da origem das chamadas, e critica a ativação automática dos filtros para toda a base de clientes. Outro questionamento envolve o prazo de até dez dias para analisar pedidos de desbloqueio, considerado longo para operações legítimas de atendimento e relacionamento.
As operadoras defendem mecanismos capazes de reduzir chamadas massivas e potencialmente fraudulentas sem exigir aplicativos no celular. As empresas de telesserviços pedem critérios padronizados e previsíveis para reduzir o risco de bloqueio de contatos legítimos.



