A Qualcomm fecha uma parceria de longo prazo com a Amazon para fornecer chips de inteligência artificial a data centers. O acordo prevê até US$ 60 bilhões em produtos e dá à Amazon o direito de comprar cerca de US$ 4 bilhões em ações da fabricante, aproximadamente R$ 20,5 bilhões.
Pelo contrato, a Amazon pode encomendar até US$ 60 bilhões, cerca de R$ 307,8 bilhões, em chips de IA e produtos relacionados. Em documento regulatório, a Qualcomm informa que concedeu à empresa o direito de adquirir até 25 milhões de ações, ao preço de US$ 161,26 cada, por volta de R$ 827,26.
A liberação das ações ocorre em parcelas vinculadas aos pedidos de chips feitos pela Amazon. Após o anúncio, os papéis da Qualcomm sobem mais de 4%. No pré-mercado em Nova York, a alta registrada é de 9,7%.
Os chips serão desenvolvidos sob medida para a infraestrutura de inteligência artificial da Amazon Web Services (AWS). As empresas também trabalham em componentes voltados à inferência de IA, ou seja, à execução de modelos já treinados. O projeto inclui conexões ópticas de até 1,6 terabit por segundo para atender à demanda de largura de banda dos data centers.
A Qualcomm busca ampliar sua presença no mercado de infraestrutura para nuvem e IA, atualmente dominado pela Nvidia. Conhecida pelos chips para celulares, a empresa enfrenta a possibilidade de perder futuramente seu negócio de modems com a Apple, além de custos maiores de componentes e demanda mais fraca por smartphones.
A fabricante já trabalha com Microsoft e Meta em chips personalizados para IA e projeta levar sua receita de chips para data centers a US$ 15 bilhões até 2029, cerca de R$ 76,95 bilhões. A Qualcomm também pretende ampliar o uso de serviços e infraestrutura da AWS no desenvolvimento de chips para reduzir os ciclos de criação.
Na Amazon, a divisão de chips personalizados alcança receita anualizada superior a US$ 25 bilhões, cerca de R$ 128,25 bilhões, no trimestre encerrado em junho. O acordo coloca a empresa entre os clientes de data centers da Qualcomm e reforça a estratégia de diversificação da fabricante para além dos smartphones.
A parceria ocorre enquanto grandes empresas de tecnologia procuram alternativas aos processadores da Nvidia. Semanas antes, a Marvell Technology fecha acordo semelhante com o Google, que dá à empresa o direito de adquirir uma participação de até US$ 12,2 bilhões, cerca de R$ 62,59 bilhões.



