A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) condena Daniel Vorcaro a pagar R$ 20 milhões por irregularidades em uma operação envolvendo o fundo imobiliário Brazil Realty. O Banco Master também é condenado, com multa de R$ 12,5 milhões. A decisão do colegiado é unânime e as penalidades do processo chegam a R$ 201 milhões.
O processo começa em 2020 e analisa a emissão e a negociação de cotas do fundo. De acordo com a acusação acolhida pela CVM, imóveis e outros ativos são incorporados ao Brazil Realty por valores artificialmente elevados. Os laudos usados para definir os preços também apresentam problemas, segundo a comissão.
A terceira emissão de cotas, iniciada em 2018, movimenta R$ 139,1 milhões. Depois disso, empresas relacionadas aos envolvidos fazem compras e vendas sucessivas dos papéis. Para a CVM, as operações criam liquidez artificial e permitem negociações com valores inflados.
Condenados e prejuízos
A comissão identifica R$ 5,8 milhões em prejuízos para fundos que negociam os ativos. Entre os cotistas estão fundos ligados a regimes próprios de previdência de servidores públicos.
Além de Vorcaro e do Banco Master, a decisão atinge familiares do ex-banqueiro e empresas relacionadas às operações. Entre os condenados estão Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel, Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel, a Viking Participações e envolvidos na Entre Investimentos.
Durante o julgamento, a defesa de Vorcaro afirma que não há provas individualizadas de fraude. A advogada Ana Paula Casagrande também contesta a existência de elementos que demonstrem o uso de mecanismos fraudulentos para induzir investidores ao erro. A CVM conclui que as provas reunidas são suficientes para responsabilizar os envolvidos.
A condenação ocorre no contexto dos desdobramentos envolvendo o Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. No mesmo mês, Vorcaro é preso pela Polícia Federal durante a Operação Compliance Zero. Ele volta a ser preso em março de 2026, em outra investigação.
O julgamento é um processo administrativo da CVM e não integra as investigações criminais conduzidas pela Polícia Federal. Os condenados ainda podem recorrer ao Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional (CRSFN).



