Vídeos de gameplay de Marvel’s Wolverine provocam uma onda de críticas nas redes sociais, especialmente no X, após a divulgação dos primeiros previews do jogo. As reações questionam a jogabilidade e também atingem o design dos personagens, a Insomniac e pessoas ligadas à franquia.
Um dos vídeos mais vistos mostra Wolverine enfrentando uma Sentinela, inimigo clássico dos X-Men. A cena é comparada a uma luta contra chefe de Ben 10: Protector of Earth (2007). Publicado em inglês, espanhol e português, o conteúdo ultrapassa 50 mil curtidas e alcança 5,1 milhões de visualizações na versão em português. As publicações classificam o jogo como antiquado e com mecânicas ultrapassadas.
Outros vídeos mostram Wolverine correndo por cerca de 15 segundos enquanto o jogador apenas mantém o analógico pressionado para a frente. Em outro, o combate contra vários oponentes é conduzido com o uso contínuo do R2. As publicações tentam apresentar o jogo como mecânico e scriptado.
Críticas também atingem desenvolvedores
A repercussão se estende ao design dos personagens femininos, considerados menos glamourosos que suas versões tradicionais, e retoma teorias sobre a Sweet Baby Inc., consultoria especializada no desenvolvimento de narrativas com foco em diversidade e inclusão. As críticas ocorrem em um cenário no qual um lançamento AAA custa R$ 450.
A Insomniac já enfrentou ataques relacionados a seus jogos anteriores. Stephanie Tyler Jones, atriz que emprestou o rosto para Mary Jane, teve a privacidade invadida por ligações e mensagens de voz no ambiente de trabalho após críticas online ao visual da personagem. Marvel’s Spider-Man Miles Morales também foi alvo de ataques relacionados a Miles Morales, personagem de origem afro-latina.
A repercussão sobre Marvel’s Wolverine chega aos funcionários da Insomniac. James Stevenson, diretor de comunidade e marketing da empresa, afirma que o algoritmo do X amplia a negatividade e questiona a recomendação para que desenvolvedores usem a plataforma.
“É uma avalanche implacável que, a meu ver, não faz bem à saúde mental de ninguém nem reflete a realidade.”
Stevenson também diz que a forma como o algoritmo amplifica e impõe a negatividade o faz repensar sua posição sobre incentivar desenvolvedores a publicar ou acompanhar a plataforma.
As redes sociais e influenciadores transformam o ódio em uma forma de engajamento, que gera retorno em ambientes nos quais a interação é lucro. A crítica também pode acabar divulgando jogos e filmes, mesmo quando ocorre de forma negativa.
O direito à crítica não elimina a diferença entre avaliação e ofensa. Ataques pessoais podem deslocar a discussão de problemas como preço, qualidade, fim da mídia física e falta de inovação.



