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Flávio Bolsonaro retoma narrativa da facada e reacende dúvidas sobre investigação

Discurso na Avenida Paulista associa ataque de 2018 a novas ameaças, enquanto questões sobre a apuração permanecem sem resposta.

Flávio Bolsonaro retoma narrativa da facada e reacende dúvidas sobre investigação

Flávio Bolsonaro retoma, no 7 de Setembro, o episódio ocorrido em 6 de setembro de 2018, em Juiz de Fora, para associá-lo a uma suposta sequência de agressões contra sua família. Durante ato na Avenida Paulista, ele afirmou que seus adversários tentariam uma “terceira facada” e disse fazer campanha com colete à prova de balas.

Na versão apresentada por Flávio, a primeira facada foi o ataque contra Jair Bolsonaro em Juiz de Fora. A segunda foi a condenação e prisão do ex-presidente por tentativa de golpe de Estado. A terceira seria uma tentativa de interferir nas eleições de 2026 ou um novo atentado. Ele não apresentou evidências de que essa interferência esteja sendo preparada.

O que a investigação concluiu

A Polícia Federal concluiu que Adélio Bispo de Oliveira atacou Jair Bolsonaro e agiu sozinho. A conclusão oficial não encontrou participação de terceiros na execução do ataque.

Essa conclusão, porém, não encerra todas as questões sobre a investigação. A hipótese de um autoatentado não foi examinada. Um policial federal que trabalhou no caso considerou essa possibilidade plausível. O delegado Rodrigo Morais, responsável pela apuração, também teria considerado a hipótese em 2021 e cogitado pedir autorização para uma perícia médica em Bolsonaro.

Isso não comprova que houve autoatentado. Indica apenas que uma hipótese considerada possível por integrantes da investigação não foi esgotada pelo inquérito.

A trajetória política de Adélio

A narrativa bolsonarista costuma associar Adélio à esquerda por causa de sua filiação ao PSOL. Ele esteve filiado ao partido entre 2007 e 2014, mas já não integrava a legenda em 2018.

Entre os objetos apreendidos pela Polícia Federal na pensão onde Adélio estava hospedado havia um documento de 2016 no qual ele pedia sua desfiliação do PSD em Uberaba. O partido informou que a filiação não havia sido formalizada, mas reconheceu que ele frequentava o diretório.

Também foi encontrado um cartão de visitas de Marcos Montes, então deputado federal ligado à bancada ruralista. Montes depois ocupou cargos no governo Bolsonaro, como secretário-executivo do Ministério da Agricultura e ministro da Agricultura. O cartão não prova participação dele no ataque.

Adélio defendia a redução da maioridade penal, apoiava a participação de militares em centros para jovens e se posicionava contra a criminalização da homofobia. Em 2015, criticou Renan Calheiros, então presidente do Senado, por não levar adiante uma proposta de redução da maioridade penal aprovada na Câmara. Jair Bolsonaro estava entre os autores da proposta.

Adélio também atuou como pregador evangélico. Depois de fazer curso de tiro no clube .38, passou a publicar ataques contra Bolsonaro. A trajetória, portanto, não corresponde à imagem simplificada de um militante de esquerda enviado para matar o então candidato.

Pontos não esclarecidos

Em 5 de julho de 2018, cerca de dois meses antes do ataque, Adélio fazia curso de tiro no clube .38, em Florianópolis. Carlos Bolsonaro estava na cidade naquele dia. Ele afirmou que não foi ao clube, embora fosse associado ao local havia cerca de três anos.

As imagens das câmeras de segurança do clube não foram entregues. Representantes da instituição foram ouvidos pela Polícia Federal, mas não foram questionados sobre uma possível presença de Carlos Bolsonaro. A PF também não examinou o deslocamento dele por meio do telefone celular.

No dia do ataque, em Juiz de Fora, imagens mostram Adélio se aproximando de Carlos Bolsonaro. Ele entrou no carro e fechou a porta. Mais tarde, reconheceu publicamente o episódio. A sequência não foi aprofundada pela investigação.

Outro ponto envolve a segurança de Jair Bolsonaro. Marcelo Bormevet coordenou um esquema paralelo durante a visita a Juiz de Fora e exigiu que a Associação Comercial e Empresarial da cidade contratasse uma empresa para registrar o trajeto por drone. A íntegra das imagens não foi localizada; uma versão editada foi usada na propaganda bolsonarista.

Bormevet e Luiz Felipe Barros Félix, que estava diretamente ao lado de Bolsonaro naquele dia, reapareceram depois na estrutura do governo. Bormevet chegou à Abin, enquanto Barros Félix foi relacionado a uma operação de monitoramento envolvendo um ex-sócio de Jair Renan Bolsonaro. A chamada Abin paralela foi investigada pela Polícia Federal por espionagem política durante o governo Bolsonaro.

Essas conexões posteriores não demonstram participação dos policiais no ataque de 2018. Também não alteram a conclusão oficial de que Adélio agiu sozinho. Elas, porém, integram as questões que permanecem sem resposta.

Ao retomar a expressão “terceira facada”, Flávio Bolsonaro apresenta o ataque de 2018 como o início de uma sequência de perseguições físicas, judiciais e eleitorais contra sua família. A associação entre Adélio e a esquerda permanece central nesse discurso, apesar de ele não estar filiado ao PSOL em 2018 e de ter circulado por ambientes políticos distintos.

Perguntar sobre essas lacunas não equivale a afirmar que houve conspiração. Uma investigação completa poderia eliminar hipóteses, inclusive a de autoatentado. A Polícia Federal respondeu que não identificou cúmplices na execução do ataque, mas perguntas sobre a trajetória política de Adélio, o clube .38, Carlos Bolsonaro e integrantes da segurança de Jair Bolsonaro continuam sem resposta.

Texto produzido pela Redação Fato em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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