O jurista Marcelo Uchôa critica o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça após a divulgação de um vídeo em que o magistrado agradece o apoio de evangélicos. A manifestação ocorre em meio à crise interna no STF e às repercussões do caso envolvendo o Banco Master.
Nesta segunda-feira (7), Uchôa escreve na rede social X que Mendonça usa a religião para tirar a atenção da investigação sobre o banco. “Só um incauto não percebe o quanto esse retorno ao Estado confessional de 1824 é perigoso”, afirma o jurista.
No domingo (6), Mendonça leva ao Plenário do STF a apuração sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Vorcaro está preso por envolvimento em um esquema bilionário de fraudes financeiras.
Documentos da Polícia Federal
Em decisão anterior, Mendonça retira o sigilo de material da Polícia Federal sobre a troca de informações entre Moraes e o ex-banqueiro. Entre os documentos está um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
O material também registra a emissão de cartões de crédito do banco para filhos de Moraes, com limites de até R$ 300 mil.
Após a divulgação dos documentos, Moraes envia ao presidente do STF, Edson Fachin, relatórios da PF que teriam apontado “fortes indícios” de irregularidades atribuídas a Mendonça na condução das operações Sem Desconto e Compliance Zero.
A medida é tomada nesta quinta-feira (3), no Inquérito 4.781, conhecido como inquérito das fake news. Moraes levanta o sigilo da decisão e dos documentos e determina que a Procuradoria-Geral da República tome ciência do caso.
Depois disso, Mendonça encaminha a Fachin um pedido de afastamento de Moraes, em meio às repercussões do caso Master.



