A expansão dos parques aquáticos no Brasil avança para cidades do interior e combina piscinas, hospedagem, restaurantes e outras atrações. A estratégia busca transformar o passeio em uma viagem completa, especialmente para famílias que vivem longe do litoral.
Dados do Sistema Integrado de Parques e Atrações Turísticas (Sindepat) e da Associação Brasileira de Parques e Atrações (Adibra) mostram que 28,6% dos investimentos em novos projetos de entretenimento no país estão concentrados em parques aquáticos. São 7,1 bilhões de reais aplicados em setenta novos projetos, dos quais vinte são aquáticos.
“Existe a tendência de novos empreendimentos em regiões mais interioranas para se aproximar do público”, afirma Luciano de Oliveira, engenheiro civil e sócio da AquaPlan. A empresa é responsável pelos projetos do Chapada Park, no Mato Grosso, e do Araxá AcquaPark, em Minas Gerais, que têm abertura prevista nos próximos meses.
Complexos para diferentes gerações
Os empreendimentos são planejados para receber crianças, adolescentes e adultos no mesmo espaço. Enquanto as crianças usam piscinas infantis, adolescentes podem optar pelos toboáguas e adultos encontram áreas de descanso. A estrutura também incorpora hotéis, resorts, restaurantes e atrações adicionais.
A proposta amplia o tempo de permanência e cria novas formas de receita. Passaportes de acesso a longo prazo ganham espaço por aumentar a fidelização, facilitar o planejamento e reduzir os efeitos da sazonalidade, segundo Suerlan Santos, COO do Acquaí Park, que será aberto em breve na Paraíba.
Carolina Negri, presidente-executiva do Sindepat, afirma que a procura está ligada à busca por experiências para toda a família. Para moradores de regiões distantes do mar, os parques funcionam como uma alternativa de lazer próxima de casa.
Expansão e renovação
O Thermas dos Laranjais, em Olímpia, no interior paulista, surgiu de um clube social construído sobre águas quentes do Aquífero Guarani. O local se tornou o parque aquático mais visitado da América Latina, com quase 2 milhões de visitantes anuais.
Outros empreendimentos seguem a mesma direção. O Multiparque, em Balneário Camboriú (SC), foi criado em 2024 e constrói um hotel anexo. Entre os parques já conhecidos, o Beach Park, no Ceará, investiu no Surreal, enquanto o Wet’n Wild, entre São Paulo e Campinas, prepara a Kobra.
A expansão enfrenta limites de infraestrutura e licenciamento. Os complexos demandam água, energia e grandes áreas de construção. Em Sorocaba, o Acqua Thermas Park teve as obras paradas após dificuldades no licenciamento ambiental. O empreendimento anuncia um toboágua de 60 metros.



